O eurodeputado português José Manuel Fernandes advertiu para o risco do aumento de populistas no Parlamento Europeu nas eleições que vão decorrer em junho de 2024.
Em entrevista à Lusa, no balanço da visita ao Brasil, que se iniciou no domingo, de membros da Comissão dos Assuntos Externos (AFET) do Parlamento Europeu, José Manuel Fernandes defendeu que o “mundo precisa cada vez mais de moderados porque eles começam a encolher” e que a “extrema-direita e extrema-esquerda, aumentando, dificultam consensos”
“No Parlamento Europeu, [em] mais de 90% das votações a extrema-direita e extrema-esquerda votam no mesmo sentido”, disse.
Na semana passada, a Presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, apelou na Assembleia da República à participação dos jovens contra o extremismo, defendendo ainda os direitos dos migrantes e a legislação europeia que regula a Inteligência Artificial.
“Estou aqui para apelar às pessoas – aos jovens em particular – para que não cedam ao conforto do cinismo fácil, para que não aceitem uma retirada tranquila para os extremos e para as franjas políticas”, disse Metsola perante os deputados portugueses, a um ano das eleições europeias.
José Manuel Fernandes, eurodeputado do Partido Social Democrata (PSD) que integra o Grupo do Partido Popular Europeu (Democratas-Cristãos), ao recordar as palavras de Roberta Metsola, disse ainda que há um grande trabalho que tem de ser feito em Portugal.
“Portugal é dos países onde há uma grande percentagem de cidadãos a reconhecer os benefícios da União Europeia e que menos votam”, disse.
“Os jovens são ainda dos que mais gostam da União Europeia e votam menos ainda”, acrescentou.
Para o eurodeputado é necessário combater as causas do crescimento dos extremos, como o aumento das desigualdades, a “frustração e falta de esperança”.
“Há gerações que olham para os pais e sentem que vão ter menos sucesso que eles”, sublinhou.
