Curiosidades

Biblioteca genética de um mundo à parte: as aves das ilhas oceânicas do Golfo da Guiné

Num estudo publicado na revista científica “Biodiversity Data Journal”, liderado por investigadores do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (BIOPOLIS-CIBIO) da Universidade do Porto, é apresentado o primeiro grande conjunto de códigos de barras de ADN publicado para aves do continente africano.

A diversidade e o carácter único da avifauna do Golfo da Guiné são extraordinárias. “Com pelo menos 29 espécies de aves endémicas numa área de pouco mais de 1.000 km2, estas três ilhas oceânicas têm a maior concentração de aves endémicas do mundo — isto é de espécies que não ocorrem em mais lado nenhum do mundo” indica Martim Melo biólogo que estuda a evolução das aves do Golfo da Guiné na Associação BIOPOLIS. Muitas das espécies que ocorrem nestas ilhas encontram-se ameaçadas de extinção segundo o Livro Vermelho da União Internacional para a Conservação da Natureza, tornando as ilhas uma prioridade global para a conservação.

Códigos de barras de ADN acessíveis a todos
A partir de agora as aves endémicas das ilhas oceânicas do Golfo da Guiné passam a estar representadas nas bases de dados mundiais de códigos de barras de ADN. O conjunto de dados inclui códigos de barras de ADN para todas as 29 espécies de aves endémicas e para 11 das 15 subespécies de aves endémicas existentes nas ilhas oceânicas do Golfo da Guiné.

Além disso, foram também publicados os códigos de barras de ADN para 16 das 21 aves terrestres não endémicas. Todos estes códigos de barras de ADN estão agora acessíveis ao público através do banco de dados online BOLD e do GenBank.

“Conhecer as interações entre espécies e em especial a dieta de espécies invasoras é muito importante para perceber de que forma a sua presença pode ameaçar a fauna nativa. No entanto, para conseguir fazer isso é necessário que as espécies estejam já representadas nas bases de dados publicadas mundialmente. Como tal, este foi o primeiro passo dado neste projeto, garantir que as espécies presentes nas ilhas têm o seu código de barras de ADN sequenciado e acessível publicamente”, refere Vanessa Mata, investigadora e ecóloga molecular na Associação BIOPOLIS.

“Pelo seu potencial ampliador, esta investigação contribuirá para apoiar as Autoridades nacionais e os demais atores com interesse na Biodiversidade, na tomada de decisão informada com base na ciência. Este, é o primeiro pilar da estratégia da BirdLife International em São Tomé e Príncipe”, acrescenta Agostinho Fernandes, Chefe do Escritório de Projetos da organização no país.

Bases de dados com diferentes grupos de animais
Este é o segundo trabalho publicado no âmbito do acordo de parceria entre a BirdLife International e a Associação BIOPOLIS, para promover ações de conservação da biodiversidade em São Tomé e Príncipe, baseadas em dados sólidos, que é financiado pela União Europeia através o projeto ‘Gestão da Paisagem em São Tomé e Príncipe’ (ENV/2020/420-182).

O primeiro trabalho focou nos répteis e anfíbios de São Tomé e Príncipe e foi publicado na revista Zookeys. Em preparação estão outros trabalhos que se focam em diversos grupos de invertebrados, nomeadamente borboletas noturnas, grilos e gafanhotos, percevejos, baratas e escaravelhos. “Estamos a construir as bases de dados que nos vão permitir focar em grupos funcionais chave, como os polinizadores e os predadores de grande relevância em contexto agroflorestal” refere Sónia Ferreira, investigadora e entomóloga na Associação BIOPOLIS.

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