O Palácio do Raio, em Braga, vai inaugurar no próximo dia 14 de dezembro uma exposição de pintura de Emília Sá Pereira intitulada ‘Os Marionetes e a Guerra’. A mostra pode ser vista até 13 de janeiro e a entrada é livre.
“Há sempre algo que marca a nossa vida e esta caminhada até ao fim.
Na minha infância, já lá vão muito anos, ouvia falar da guerra, das marcas da guerra e do medo da guerra. Hoje, vivo e revivo, com consciência o que não entendia o que era uma guerra.
Como é possível que o ser humano lute contra tudo e contra todos, pelos limites de uma fronteira, pela ambição de ser poderoso, matando inocentes, destruindo vidas e a paz, o maior valor da existência e da vida.
‘A arte é contemplação e a natureza também tem alma’, pensava Rodin.
Há nesta guerra, mãos sem rosto que se interrogam e limpam lágrimas.
Passamos a ser seres anónimos manipulados e articulados como marionetas. Cordões que, ardilosamente nos condicionam a vida. O soldado que cumpre ordens. A bruxa que nos amaldiçoa. A religiosa que reza e o anjo que nos levará ao céu.
A história da nossa existência fica marcada pela expressão do nosso rosto, nos gestos e no nosso corpo.
Nas expressões da velhice, especialmente nas mulheres, está a bondade, o medo, a revolta, as lágrimas, a resignação e sempre a esperança.
A minha pintura imprime o sentir do que me rodeia. Do que passa para além do visível. O sofrimento dilacera-me a alma. A vida é um bem supremo que devemos respeitar e agradecer.
No fim da minha caminhada, valorizo o que me alimentou a alma e a capacidade de me solidarizar, de me revoltar e gritar bem alto: Parem com a guerra.
‘No fim, fica o que vivemos, o que demos e uma alma que nos condenará ou salvará’.
Esta exposição é uma forma de expressar a vida, que o tempo foi marcando em mim.
‘Quando todos os homens tiverem dado as mãos, não existirão mãos para segurar armas’. Ziggy Marley”.
Emília Sá Pereira
