O presidente da Direção da Associação Portuguesa de Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) de Braga está a ser investigado pelo Ministério Público por suspeitas de gestão danosa e alegado desvio de fundos da instituição. Bruno Ramos é suspeito de ter gasto, no último ano, só em despesas pessoais, mais de 100 mil euros da instituição que tem, nesta altura, dívidas que rondam 1,5 milhões de euros, segundo conta a edição de hoje do Correio da Manhã.
A situação levou mesmo à convocatória de uma Assembleia Geral, inicialmente prevista para 6 de janeiro, mas que foi adiada para o dia 20 do mesmo mês, de forma a pedir a destituição do presidente da direção, Bruno Ramos, e do vice-presidente, António José da Silva, refere o site E24.
Aliás, a situação será de enorme polémica no seio da instituição, que já viu cinco pessoas da direção a demitirem-se.
Segundo é tornado público já foram feitas várias denuncias ao DIAP, uma dela terá mesmo vindo do Conselho Fiscal da APPACDM de Braga. O Ministério Público estará mesmo a investigar para avançar com uma acusação.
Entre as várias denúncias estão “contratos duvidosos, pagamentos sem contrapartida, aumentos salariais extravagantes e transferências indevidas de fundos”.
O Conselho Fiscal da APPACDM de Braga expressou preocupação particular com os encargos salariais que, segundo estes, “não se refletem nas atividades desenvolvidas pela instituição”. Além disso, chamaram a atenção para “transferências diretas de contas da organização para a conta pessoal do presidente da direção e outras pessoas, totalizando 200 mil euros ao longo de 11 meses”, revela o E24.
Bruno Ramos refuta todas as acusações
“É mentira”, começa por afirmar ao E24 Bruno Ramos. O presidente da direção refere que o que está em causa é uma “guerra pelo poder”, situação esta que tem vindo a marcar o dia a dia da instituição ao longo dos últimos anos.
“Gestão danosa? Eu herdei uma instituição cheia de problemas. Esses 1,5 milhões são realmente verdade, mas já vinha da direção anterior”, afirma o presidente, ainda ao E24, que também nega que tenha desviado dinheiro, nomeadamente mais de 200 mil euros.
“Isso é pura mentira. Eu não desviei dinheiro nenhum para contas pessoais”, afirma, acrescentando que há pessoas a instrumentalizar pessoas. “Há uma guerra de poder, onde de um dos lados está o CESP e mais algumas pessoas. As pessoas não olham a meios”, frisa.
Aliás, Bruno Ramos refere que não é arguido de nada. Diz que não foi ouvido na PJ e nega que a Autoridade Tributária tenha entrada na instituição.
“Ao dia de hoje não fui ouvido por ninguém, não fui chamado pelo tribunal ou Ministério Público. Zero e que fique bem claro. Mas isso vai ser dito na Assembleia Geral. Confirmo que esteve na instalação uma equipa de fiscalização da Segurança Social do Porto, mas numa operação normal de rotina como fazem por todo o lado”, destacou.
Bruno Ramos refere ainda que a direção está em exercício, apesar da demissão de cinco pessoas.
“O presidente e o vice-presidente não se demitiram porque há pagamentos para fazer. Trabalhadores, fornecedores e outros, senão a instituição fechava. Temos tudo em dia”, frisou, dando nota que a própria convocatória da Assembleia Geral é ferida de ilegalidade.
“Andam aqui a brincar às convocatórias. Falam lá que querem gerir a APPACDM com uma comissão provisória de gestão. Isso não é permitido e é ilegal, pois não está nos estatutos. O que tem que haver é uma eleição. Aliás a própria Segurança Social disse isso mesmo a nós, para fazermos uma eleição para a instituição continuar a funcionar”, destacou.
