O gnration volta a celebrar o seu aniversário de portas bem abertas. Este sábado, o gnration open day traz um dia com música de artistas nacionais e internacionais, workshops para os mais novos, exposições e ainda visitas guitas às exposições, tudo com entrada livre.
Natural de Braga, Mafalda BS abre o programa de música, às 16h00, com a apresentação do seu primeiro EP “Canto em Cantos”, lançado em outubro de 2023. A jovem compositora, produtora e cantautora iniciou a relação com a música ao piano, no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian de Braga. Atraída pela vertente mais criativa da composição e improvisação, Mafalda decidiu aventurar-se na experimentação com a voz e na produção. Em 2022, foi bolseira no curso de Studio Engineering da Arda Recorders, no Porto, onde aprendeu sobre práticas de gravação, mistura e masterização. Um ano depois, colocou esses conhecimentos em prática no EP de estreia editada de forma independente. Nos últimos anos, Mafalda tem vindo a colaborar ainda com artistas e bandas como Ocenpsiea, Francisco Carneiro, Frank Lucas, Mazda Fields, gonsalocomc e Alcrud3.
O palco da praça do gnration abre às 17h00 com espetáculo de mutu. A banda formada por Diogo Martins, na voz, Pedro Fernandes, nos
sintetizadores e guitarra, Nuno Gonçalves, nos teclados, e João Costeira, na bateria, juntou-se em 2020 e tem dado que falar ao longo dos últimos anos. “A morte do artista”, lançado em abril de 2023, foi criado ao abrigo do Trabalho da Casa, o programa de apoio à criação artística local do gnration, e pré-apresentado em setembro de 2022. Neste trabalho de estreia, a banda conjuga influências da música tradicional portuguesa – desde a tradição minhota à canção das Beiras – com o rock e a música eletrónica, cruzando assim todas as latitudes sonoras dos quatro integrantes, todos nomes familiares na cena musical na cidade de Braga.
Um ano depois do lançamento do disco, os mutu regressam ao gnration e prometem um concerto muito especial, em que darão a conhecer, em primeira mão, novos temas que têm andado a trabalhar.
A tarde continua na blackbox com Goela Hiante, o duo formado pelos bracarenses Marta Abreu e Adolfo Luxúria Canibal. Conheceram-se em Mão Morta, mas nunca tinham pensado fazer algo juntos, em dupla. Mas, a março de 2020, a vida de toda gente foi virada do avesso e, fechados em casa, Marta e Adolfo começaram a desenhar este projeto spoken word. Um iPad, um velho piano elétrico e uma carrada de livros, foi tudo o que precisaram para fazer nascer Goela Hiante; Adolfo Luxúria Canibal lê poemas seus ou de poetas da sua eleição enquanto, nos instrumentos, Marta Abreu cria ambientes sonoros que acompanham essas leituras.
Começaram a gravar algumas performances em casa, com o telemóvel, que depois publicavam online, primeiro para os amigos e depois para a comunidade. Com o aliviar do confinamento foram para estúdio gravar o disco homónimo que têm vindo a apresentar desde então.
No gnration open day, Goela Hiante estreia-se ao vivo na cidade-natal com a sua poesia negra e soturna.
O lendário conjunto, com mais de cinquenta anos de história, África Negra abre a noite de celebração no gnration. Embaixadores do som de São Tomé e Príncipe, sobem ao palco da praça às 22h00 e a festa é garantida. Juntaram-se em 1972, ainda as forças coloniais portuguesas ocupavam as ilhas de São Tomé e Príncipe e tentavam proibir o uso do nome África Negra. Começaram a dar nas vistas com atuações nos fundões, os bailes ao ar livre. Tocavam com amplificadores Marshall e guitarras carregadas de efeitos – algo raro na música santomense da época – juntando a puíta local ao soukous e à rumba. No início dos anos 80 foram convidados a gravar um disco pela Rádio Nacional de São Tomé e começaram a ganhar notoriedade em países lusófonos, principalmente Angola, Cabo Verde e Portugal, onde gravaram três álbuns, “Angélica”, “Alice” e “África Negra 83”. Com o passar dos anos, novas gerações de fãs por todo o mundo redescobriram as músicas deste conjunto liderado por Emídio Vaz, na guitarra solo, Leonídio Barros, na guitarra ritmo, e pelo “General” João Seria, na voz, que nos deixou em 2023.
De São Tomé e Príncipe ao Uganda, a noite continua às 23h00, na blackbox, com HHY & The Kampala Unit, coletivo fundado por Johnathan Uliel Saldanha durante uma residência com o coletivo e editora Nyege Nyege, de Kampala, no Uganda. Artista multidisciplinar, músico e membro de HHY & The Macumbas, Uliel Saldanha juntou-se à trompetista e ativista Florence Lugemwa para uma exploração futurista que mistura o dub e o techno com percussões tradicionais e elementos de transe. Neste concerto, HHY & The Kampala Unit apresenta-se ao vivo numa formação trio, em que Saldanha e Lugemwa estarão também acompanhados de percussão.
De volta à praça, o produtor britânico James Holden apresenta o seu quinto e mais recente disco, às 00h00. Lançado em 2023 e destacado como um dos melhores discos de música eletrónica do ano, “Imagine This Is a High Dimensional Space of All Possibilities” é o disco que James Holden sempre quis produzir. Nos anos 90, quando ainda era adolescente, o produtor de Leicestershire conta que passava horas a tentar apanhar as ondas das rádios pirata que passavam música eletrónica de dança e imaginava a liberdade que sentiria numa das raves ilegais a que não podia ir.
Mais de 20 anos depois, Holden tornou-se num dos nomes mais respeitados da IDM, trance e techno, a música que tanto gostava. Fez remix para nomes como Britney Spears, New Order, Depeche Mode ou Radiohead e fundou a editora Border Community – casa de nomes como Luke Abbott, Dextro ou Misstress Barbara. No gnration open day, James Holden leva-nos numa viagem pelo seu sonho adolescente, ou como o próprio refere “uma fantasia sobre uma cultura musical transformadora que tornaria o mundo um lugar melhor”.
A festa continua noite adentro com dois DJ sets que acontecerão em simultâneo. Entre sons contemporâneos e “música-antiga-feita-nova”, La Flama promete cumbia, perreo, suor e ancas desajeitadas. Pedro Azevedo, diretor artístico do Musicbox, começou a apresentar-se como La Flama nas noites de Baile Tropicante, que trazem muita dança e música vinda do Peru e Colômbia a Lisboa. No gnration open day, o “maestro” do Baile Tropicante ocupa a Sala Multiusos até ao final da noite.
Já na blackbox, a festa continua com Catarina Silva, acompanhada pelos visuais de Muluk, numa cocuradoria do gnration com a Dark Sessions Braga, uma comunidade independente de música eletrónica criada em 2017 para trazer uma noite diferente aos estudantes da Universidade do Minho. Nómada musical, Catarina Silva comanda a música deste set, que caminhará entre os vários géneros da eletrónica, do electro ao techno ou do ebm à house. A parte visual está a cargo de Adriana Passos, mais conhecida como Muluk.
Manipulando imagens ao vivo, a artista junta padrões fluidos e imagens orgânicas, processadas através de arte generativa, para criar visuais imersivos que jogam com luz e frequência. Para ver até às 3 da manhã, na blackbox.
Para além da música, o gnration open day conta ainda com “EMAP Perspective #1”, uma exposição coletiva que reúne obras desenvolvidas por artistas europeus em instituições que integram a rede EMAP – European Media Art Platform. “Mosaic Virus”, de Anna Ridler, “The Hidden Life of an Amazon User”, de Joana Moll, “Learning from the commons”, de Stefan Laxness, “Meditative Cohabitation”, de Studio Above&Below e “Beyond Human Perception”, de uh513, são as instalações que compõem a primeira exposição EMAP Perspective e que poderão ser visitadas até 27 de abril.
Durante a manhã, o Circuito – Serviço Educativo Braga Media Arts promove ainda um conjunto de visitas orientadas gratuitas a esta exposição, que irão decorrer às 10h00, 11h00 e 12h00. Estas visitas terão interpretação em Língua Gestual Portuguesa e não é necessária inscrição, basta aparecer.
De manhã e até às 17h00, o Circuito – Serviço Educativo Braga Media Arts promove ainda a Estação de Experimentação: Posto de Transmissão, que convida os mais novos a entrar no mundo da rádio, dos podcasts ou simplesmente a dizer o tempo por umas horas. Esta atividade é mediada por Nuno Loureiro e Artur Carvalho e funcionará em permanência no pátio interior.
A entrada no gnration open day é gratuita.
