Minho

48 crianças gritaram ‘Liberta-te’ na comemoração do cinquentenário do 25 de abril em Braga

O auditório da União de Freguesias de Nogueira, Fraião e Lamaçães foi pequeno para acolher o espetáculo de teatro, música, ilustração e poesia proporcionado por 48 crianças da Componente de Apoio à Família – CAF e traduzido num belo livro com o título “Liberta-te”.

Foi o culminar de um projeto artístico iniciado em novembro, coordenado pela secretária da Junta de Freguesia Suzana Leite e dinamizado pelo Projeto Expressar, por Pedro Seromenho e Carlo Giovani, que evocou o antes e o pós-25 de Abril de 1974 e envolveu a população mais jovem na comemoração do 25 de abril, através da interação entre gerações, para que se verifique uma passagem de testemunho das memórias da ditadura, da construção da democracia e do valor da liberdade.

As crianças frequentaram oficinas de expressão dramática que foram dinamizadas pela Projeto expressar, nomeadamente por Juliana Kleinubing, com o intuito de promover o conhecimento desta temática e de incutir nas crianças o sentido de responsabilidade na sociedade, e o respeito pela liberdade de cada um, mas também de todos nós. Promoveram-se oficinas de escrita com o escritor Pedro Seromenho e oficinas de ilustração com o ilustrador Carlo Giovani.

Pedro Seromenho leu alguns dos poemas do livro que traduzem as definições de Liberdade dos seus autores, as crianças. Se para uns “é uma criatura que passa horas e horas sem fazer nada, porque não precisa. Tem Liberdade para isso” outros escrevem que ela “cabe na palma de uma mão, mas não a podemos fechar”.

Mas também pode ser um conselho, porque ela “gosta de comer gelados. E suja-se toda” ou “é como o mar. Perde-se de vista” embora haja quem peça: “se mandasse na Liberdade, os adultos teriam mais tempo para os seus filhos”.

Na presença do presidente da Junta da união, José Pinto Matos, que elogiou a “alma deste projeto”, Suzana Leite, o livro “Liberta-te” conta com poemas e desenhos das crianças que integram a CAF das EB de Nogueira e de Fraião, resultantes das oficinas que foram levadas a efeito.

Esta iniciativa, de acordo com o presidente da autarquia, traduz uma “aposta da Junta de Freguesia de investir no futuro que são as crianças, numa relação entre gerações, através da educação cultural e das artes”.

Pedro Seromenho acentuou que “este momento é deles e as oficinas de escrita e ilustração resultaram num livro que cresce quando o abrimos. É uma semente que vai crescendo se a regarmos. Esta semente é vossa e a mensagem tem de ser passada de geração em geração: o grito da liberdade”.

Carlo Giovani sublinhou que “a liberdade é o mais simples que há e fui apenas um guia para responder à pergunta: quem é a liberdade”.

A sessão fechou com a entrega dos prémios aos melhores classificados no Concurso de ilustração realizado no Natal.

Deixe um comentário