A sala de exposições da Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela recebeu José Pacheco Pereira para uma conferência intitulada “Do 28 de maio ao 25 de abril: movimentos de resistência ao Estado Novo”. Esta iniciativa do “Aqui Há Cultura!”, projeto conjunto da EPATV e do Município de Vila Verde, serviu para aprofundar e valorizar a história dos movimentos de resistência ao Estado Novo.
Numa sala completamente lotada, o serão começou com a “Grândola Vila Morena” de José Afonso, recitada e cantada por alunas da Academia de Música de Vila Verde.
Depois, Arnaldo Varela de Sousa procedeu a uma contextualização histórica do tema a abordar e dos motivos que levaram a que fosse incluído na programação.
Na sua intervenção, Pacheco Pereira começou por lembrar como viveu em clandestinidade o 25 de Abril de 1974 no Porto, sublinhando o quão difícil foi o recomeço da memória histórica, quase destruída pela censura. “A grande maioria das pessoas da minha geração não sabia rigorosamente nada. A censura tinha sido eficaz a criar uma rutura da memória”, referiu.
Com brilhantismo, o palestrante fez uma descrição rigorosa sobre a evolução dos movimentos de resistência ao Estado Novo: quais foram, que ideais defendiam, como se organizavam e como lhes respondiam as autoridades do regime, particularmente a PIDE, sempre enquadrado no contexto histórico global em que se vivia.
Ao longo da história, a resistência portuguesa teve vários protagonistas e Pacheco Pereira dividiu este longo período em quatro fases: desde o golpe militar de 28 de maio até ao início da 2ª Guerra Mundial, entre a 2ª Guerra Mundial e o início da Guerra Fria (em 1949), do início da década de 50 até ao final da década de 60 e depois entre 1968 (início do governo de Marcelo Caetano) e o 25 de Abril.
Em todas estas fases, não obstante a repressão e torturas pelas mãos dos agentes da PIDE, e apesar das grandes diferenças entre os próprios resistentes, há um aspeto que lhes é comum e que José Pacheco Pereira salientou: a longevidade da luta e resistência portuguesa contra um regime que durou 48 anos. “É mais longa que a resistência à Alemanha nazi, mais longa que o fascismo italiano, mais longa que o franquismo e não tem paralelo na história da Europa”, sintetizou.
No final, houve espaço para uma conversa com o público, em que se abordaram várias questões como o papel da educação na preservação dos valores democráticos, o papel das mulheres na resistência à ditadura e os levantamentos militares contra o Estado Novo.
