O cinema ao ar livre regressa ao pátio exterior do gnration. Nas quinta-feiras de agosto – 1, 8, 22 e 29 – serão exibidos os filmes
Não sou Nada – The Nothingness Club, de Edgar Pêra, Retrato da rapariga em chamas, de Céline Sciamma, O Paraíso, provavelmente, de Elia Suleiman e Fechar os olhos, de Julio Arenas. A entrada é gratuita.
Centenas de escritores na cabeça de um poeta, um retrato pintado como gesto de amor, uma deriva por todos os lugares à procura daquele de onde se partiu, alguém que desaparece (ou que se esquece de reaparecer). Na complexidade e fragilidade do tempo presente, o Cinema no Pátio do gnration apresenta quatro propostas que giram em torno de identidades – quem somos ou queremos ser, o que somos ou de onde somos.
Este ciclo de verão começa no primeiro dia de agosto (1), com Não sou Nada – The Nothingness Club (2023) do realizador português Edgar Pêra. Fernando Pessoa escreveu sob muitos heterónimos, todos com nomes diferentes e cada um com um passado, uma aparência, um estilo e uma filosofia bem definida.
Dentro do seu Clube do Nada, o poeta consegue concretizar todos os seus sonhos, mas a chegada de uma mulher, muito diferente da Ofélia do mundo real, vem destabilizar o Clube, enquanto o ultrajante heterónimo vanguardista, Álvaro de Campos, disputa a autoridade de Pessoa de forma violenta. Miguel Borges veste a pele do poeta e protagoniza este filme que conta ainda com Victoria Guerra, Albano Jerónimo, Vítor Correia, Marina Albuquerque e Paulo Pires no elenco.
Uma semana depois, a 8 de agosto, é exibida a obra Retrato da rapariga em chamas (2019), da realizadora francesa Céline Sciamma. Em 1770, Marianne é enviada para uma ilha isolada da Bretanha, em França, para pintar o retrato de casamento de Héloïse, uma jovem acabada de sair de um convento. Héloïse, interpretada por Adèle Haenel, resiste ao destino de se tornar esposa de alguém que nunca viu e recusa-se a posar para a pintura. Marianne, interpretada por Noémie Merlant, vê-se assim obrigada a pintar a jovem em segredo. Apresentada como dama de companhia, a pintora observa-a todos os dias.
Depois de uma paragem, o ciclo retoma a 22 com O Paraíso, provavelmente. Entre o documentário, o drama e a comédia, o realizador palestiniano Elia Suleiman deixa a Palestina em busca de uma nova pátria. Mas a busca por esta nova vida torna-se numa comédia de enganos. De Paris a Nova Iorque, quanto mais se afasta da Palestina, mais estes novos lugares lhe fazem lembrar o seu país natal. Um conto burlesco que explora a identidade, a nacionalidade e a pertença, no qual Suleiman coloca uma questão fundamental: onde nos
podemos sentir “em casa”?
O Cinema no Pátio de 2024 encerra a 29 de agosto com Fechar os olhos, do espanhol Victor Erice. Este filme gira em torno de Julio Arenas, um famoso ator espanhol, que desaparece durante a rodagem de um filme. Embora o seu corpo nunca seja encontrado, a polícia conclui que ele foi vítima de um acidente à beira- mar. Muitos anos mais tarde, o mistério em torno do desaparecimento de Arenas volta a ser notícia. Um programa de televisão descreve a sua vida e a sua morte, e mostra imagens exclusivas das últimas cenas que filmou, captadas pelo seu grande amigo, o realizador Miguel Garay.
O ciclo Cinema no Pátio é programado pelo realizador e guionista Eduardo Brito. Escreveu e realizou A Sibila (2023), a partir da obra de Agustina Bessa-Luís, e é também autor das curtas-metragens Penúmbria (2016), Declive (2018), Ursula (2020), Lethes (2021) e La Ermita (2021). Escreveu o argumento da longa- metragem O Pior Homem de Londres (Rodrigo Areias, 2024), das curtas O Facínora (Paulo Abreu, 2012), A Glória de Fazer Cinema em Portugal (Manuel Mozos, 2015) e O Homem Eterno (Luís Costa, 2017). Leciona na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (FBAUP), onde estudou, e na ESAD – Escola Superior de Artes e Design, e fez especialização em guião para cinema na Escuela Internacional de Cine y Televisión em Cuba.
A entrada no Cinema no Pátio é gratuita e os bilhetes poderão ser levantados nos dias das respetivas sessões. Mais informações em www.gnration.pt
A programação do gnration tem o apoio da República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes. RTCP – Rede De Teatros E Cineteatros Portugueses
