Terras de Bouro

FAPAS contra ‘artificialização’ da Cascata do Thaiti no Gerês

A Associação Portuguesa para a Conservação da Biodiversidade (FAPAS) está contra o que considera ser a “artificialização” da Cascata de Fecha de Barjas, conhecida como Cascata do Tahiti, em Terras de Bouro, no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

“Vimos a terreiro para denunciar o fazer da Cascata da Fecha de Barjas (a que alguns erradamente chamam ‘Cascata do Tahiti’) uma espécie de circo, transformando-a um troço de paisagem natural, das mais valiosas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, cenário completamente artificial e urbano, a avaliar pelas fotos 3D divulgadas, mesmo de duvidosa qualidade”, diz a FAPAS.

A FAPAS não deixa de reconhecer “a sucessão de acidentes que tem ocorrido naquele local, fruto da impreparação para andar na serra e da temeridade de alguns”, mas “a Cascata da Fecha de Barjas não oferece maiores perigos do que fazer percursos pedestres na restante área do parque nacional (ou noutra área montanhosa), por quem não esteja preparado para a montanha”.

Reagindo à notícia e às imagens avançadas publicamente, a FAPAS afirma que “com medidas mais simples e baratas do que as anunciadas, o problema [dos acidentes e quedas nas ‘Cascatas do Tahiti’] resolvia-se”, recordando “um conflito anterior, em Abril de 2021, quando a Câmara Municipal de Terras do Bouro, através do seu presidente, Manuel Tibo, divulgou a ideia peregrina de construir um inútil teleférico, entre o Gerês e a Pedra Bela, sem qualquer respeito pela paisagem”.

“O nosso único parque nacional está a ser continuamente degradado e a totalmente errada lei da cogestão das áreas protegidas, ‘inventada’ pelo anterior titular da pasta do Ambiente só veio agudizar os problemas, pelo que aguardamos a revogação ou alteração dessa lei, o reposicionamento dos autarcas no seu lugar apropriado, e a nomeação de diretores das áreas protegidas, como prometido no programa do atual Governo, pois se ficarmos sem este parque nacional não teremos outro”, diz a FAPAS.

“Uma prova de vida de uma associação”
O presidente da câmara de Terras de Bouro, ao ‘Terras do Homem’, refere que “é uma mera opinião da FAPAS, uma associação que precisa fazer prova de vida quando acontece alguma coisa no Parque Nacional Peneda Gerês que melhore as condições de usufruto das pessoas”. Manuel Tibo vai mais longe nas críticas: “é uma associação de ambientalistas que não são mais ambientalistas que o povo de Terras de Bouro, nem conhece melhor os problemas e as virtudes do terrítório do que os terrabourenses”.

o autarca pergunta ainda: “a FAPAS trás um envelope financeiro para resolver o problema do saneamento ou das acácias, esses sim verdadeiros problemas ambientais?”.

Quanto à obra na cascata, ela vai avançar já dia 1 de agosto: “já foi adjudicada e está pronta a avançar. Vai trazer constrangimentos naquele local, mas como é lógico esta é uma obra que tem que ser feita no verão porque no Inverno não é possível”.

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