Curiosidades

“Fadiga de alertas” leva utilizadores a tirar notificações de notícias

O aumento da “fadiga de alertas” está a levar os utilizadores de telemóveis a desativar as notificações de aplicações de notícias. As conclusões são do RISJ – Reuters Institute for the Study of Journalism, citado pelo The Guardian.

A “fadiga de alertas”, também conhecida como “fadiga de alarmes”, é um estado de exaustão mental causado por um número excessivo de alertas em dispositivos, muitos dos quais sem importância.

Segundo a análise, há meios de comunicação a enviar cerca de 50 notificações por dia, o que pode levar mesmo os utilizadores a desinstalar as aplicações.

Além disso, explica a publicação britânica, o surgimento de agregadores de notícias, como o Apple News e o Google, em dispositivos móveis significa que alguns utilizadores podem receber mais de um alerta sobre a mesma notícia, sobretudo quando se tratam de notícias de última hora.

Já um relatório do Reuters Institute for the Study of Journalism revelou que 79% das pessoas inquiridas num total de 28 países não recebem notificações de notícias durante a semana. Destas, 43% adiantaram que as desativaram totalmente por receberem muitos alertas e não os considerarem úteis.

“É uma corda bamba que os editores têm percorrido”, disse Nic Newman, principal autor do relatório. “Se enviam demasiados, as pessoas desinstalam a aplicação, o que é obviamente um desastre. O problema clássico é que os editores sabem que não devem enviar demasiados individualmente. Mas, coletivamente, haverá sempre alguns maus atores que estragam a festa”.

“É definitivamente fadiga de alertas. Isso tem a ver, em parte, com a evitação de notícias. [Os utilizadores] querem proteger-se durante o dia para não se distraírem e poderem continuar com outras coisas. Isso não significa que não estejam interessados em notícias, mas simplesmente não querem notícias o tempo todo, 24 horas por dia, chegando até eles como um comboio expresso”, adiantou.

Em Portugal, o Digital News Report Portugal 2025 (DNRPT25), divulgado esta semana, revelou que a tendência para evitar notícias de forma frequente ou ocasional manteve-se, embora com um ligeiro decréscimo face a 2024.

O cansaço com a quantidade de notícias (39%), a saturação com temas de guerra e conflitos (38%) e o impacto negativo no humor (32%) estão entre as razões apontadas para o evitar ativo de notícias.

O relatório apontou também que consumo de notícias através das redes sociais no mercado português é centrado em poucas plataformas, com o Facebook a liderar, seguido do WhatsApp.

O DNRPT25, sublinhe-se, é produzido anualmente pelo OberCom – Observatório da Comunicação desde 2015, publicado a par do relatório global do RISJ – Reuters Institute for the Study of Journalism, da Universidade de Oxford, no Reino Unido.

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