Minho

Cidadãos são desafiados a procurar a literatura fora dos livros

Um projeto europeu, que envolve as universidades do Minho e de Lisboa, desafia os cidadãos a geolocalizar, catalogar e comentar sobre os materiais literários presentes em ruas, monumentos e outros suportes físicos e digitais. Na plataforma btc.brandingthecanon.com, há já 1800 registos de vários países, com referências a autores como Saramago, Jane Austen, Dante, Rosalía, Pushkin ou Allan Poe – e aceita-se novos contributos.

“Estamos na era da pós-literatura, a forma e função da escrita expandem-se além do livro em novos média e experiências interativas; na sociedade capitalista, textos e escritores decoram o espaço público, transmitem referências culturais, estimulam o consumo e são até usados como marca”, situa Micaela Ramon, professora da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas da UMinho e membro do projeto “Branding the Canon”.

Por exemplo, se até aos anos 90 tínhamos os autores em notas de escudos ou em selos do correio, hoje vemos murais e videoclips com excertos de Bocage, t-shirts e sacos sobre a “Barca do Inferno” de Gil Vicente, latas de sardinha, vinhos e chávenas com a face de Eça de Queirós ou tatuagens no corpo alusivas a Luís de Camões.

Novos contextos culturais
“As referências literárias surgem cada vez mais no nosso quotidiano em estátuas, murais, cartazes e nomes de ruas, mas também em redes sociais, merchandising e place branding – ou seja, mantêm-se vivas em novos contextos culturais”, considera Iolanda Ogando, coordenadora do projeto e professora da Universidade da Estremadura (Espanha). Por isso, complementando o “Branding the Canon”, a equipa de investigação lançou a iniciativa “Literatura&Cía”, desafiando todas as pessoas a encontrarem e partilharem “vestígios” físicos e digitais da nossa renovada relação com a literatura.

Para o coletivo do “Branding the Canon”, fazer pesquisa, divulgação e projetos de ciência cidadã nas humanidades é essencial para preservar e analisar a cultura, mas mostra também que a ciência tem muitas facetas e que é central no discurso público. O projeto reúne 14 cientistas das universidades do Minho, Lisboa (Portugal), Estremadura, Rioja, País Basco, Barcelona, Alicante, Ilhas Baleares, Complutense (todas de Espanha) e o University College de Cork (Irlanda).

Conta desde 2022 com fundos do FEDER da Comissão Europeia e do Governo espanhol, através da Fundación para la Ciencia y la Tecnología e da Agencia Estatal de Investigación. A agenda de trabalhos está na reta final e incluiu igualmente uma intensa atividade pedagógica e informativa para vários públicos, como escolas, centros de línguas, colóquios, semanas da ciência e Noite Europeia dos Investigadores.

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