Curiosidades

Portugal à frente no número de casos de cancro do estômago com destaque para o norte do país

Assinala-se hoje, o Dia Mundial do Cancro Digestivo, data que sublinha a urgência da prevenção e do diagnóstico precoce. Os dados mais recentes, do GLOBOCAN 2022, revelam que só nesse ano Portugal registou mais de 18 mil novos casos e cerca de 11 700 mortes, o equivalente a 30 pessoas que perdem a vida todos os dias.

Apesar dos avanços em oncologia, Portugal mantém-se entre os países da Europa Ocidental com piores indicadores no cancro do estômago, com especial incidência no Norte do país. Este padrão regional é explicado por fatores como hábitos alimentares tradicionais ricos em sal, carne processada e fumeiro, prevalência elevada da infeção por Helicobacter pylori, consumo de álcool e tabaco, bem como taxas de obesidade e sedentarismo acima da média.

As projeções são igualmente preocupantes. De acordo com estimativas internacionais, até 2045 o número de novos casos de cancros digestivos em Portugal poderá aumentar 23%, enquanto a mortalidade poderá crescer mais de 30%, ultrapassando as 15 mil mortes anuais.

“Um dos fatores mais preocupantes é o silêncio que ainda envolve a doença, com muitas pessoas a ignorarem sintomas durante meses e a chegarem tarde ao diagnóstico. Portugal continua a ser o país da Europa Ocidental com a maior incidência de cancro do estômago, sobretudo no Norte, mas estes números não podem ser encarados como uma fatalidade. É urgente quebrar este ciclo, falar do cancro do estômago sem tabus, apostar na prevenção e garantir que todos tenham acesso ao rastreio e ao acompanhamento médico. Se estivermos atentos a sinais como perda de apetite, perda de peso, dor ou desconforto persistente no estômago, ou azia frequente, e procurarmos ajuda médica atempadamente, conseguimos salvar vidas. A prevenção e o diagnóstico precoce são as nossas maiores armas para alterar uma realidade que continua a afetar tantas famílias no país” sublinha Vítor Neves, Presidente da Europacolon Portugal.

O impacto dos cancros digestivos vai muito além dos números, representando uma enorme carga para os doentes que, para além do sofrimento físico e emocional, enfrentam frequentemente atrasos no diagnóstico e dificuldade em aceder a rastreios atempados, o que reforça a urgência de sensibilizar a população e de reforçar políticas de saúde pública centradas na prevenção.

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