Foi apresentado ontem o ‘PULSAR PORTUGAL’, um estudo nacional, de grande dimensão, sobre diabetes e risco cardiovascular, promovido pela Sociedade Portuguesa de Diabetologia (SPD) e pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC).
O projeto abrange Portugal Continental e as Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, e irá avaliar a prevalência da diabetes e do risco cardiovascular, avaliando uma amostra representativa da população adulta portuguesa, para determinar a prevalência da diabetes e dos principais fatores de risco cardiovascular, bem como a qualidade de vida e a ocorrência de eventos cardiovasculares .
“Portugal precisa de um retrato atual da sua realidade metabólica e cardiovascular, especialmente com granularidade regional e abrangendo as Regiões Autónomas. O nosso país apresenta um défice de evidência epidemiológica atualizada nesta área, pelo que o PULSAR PORTUGAL foi desenhado para gerar dados sólidos, úteis para a prática clínica e para as políticas públicas de prevenção”, explica o Prof. Dr. João Raposo, presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia.
“Face à reorganização dos cuidados de saúde em Unidades Locais de Saúde (ULS), é essencial conhecer a realidade epidemiológica de cada território, de modo a orientar políticas de prevenção, planeamento de recursos e financiamento ajustado a cada população. Este é um investimento científico e social, cujos resultados obtidos poderão ser comparáveis com os de estudos epidemiológicos desenvolvidos a nível internacional”, refere a Prof. Drª Cristina Gavina, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.
A diabetes e as doenças cardiovasculares (DCV) são duas das principais causas de morte e incapacidade na Europa e em Portugal. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), as DCV foram responsáveis por 4,2 milhões de mortes na Europa em 2019, representando 42,5% de todas as mortes — a proporção mais elevada de todas as regiões da OMS(1).
“Em Portugal, no ano de 2021, as doenças do aparelho circulatório continuaram a estar na origem do maior número de óbitos no país (32 452), representando 25,9% do total nacional”(2). Estes números, baseados em dados recolhidos há mais de uma década, revelam um vazio de conhecimento sobre a evolução real dos fatores de risco no nosso país.
“O PULSAR PORTUGAL surge precisamente para colmatar essa lacuna, criando uma base de dados científica robusta e representativa que nos permitirá compreender a evolução dos fatores de risco cardiovascular e metabólico e, sobretudo, suportar cientificamente estratégias eficazes de prevenção e gestão das doenças crónicas.”, finaliza o Prof. Dr. João Raposo, Presidente da Sociedade Portuguesa de Diabetologia.
A fase de mobilização da população terá início já em dezembro, em Castelo Branco e Vila Nova de Gaia – o município mais populoso da região Norte e o terceiro a nível nacional – marcando o arranque de uma operação de grande escala que se estenderá a todo o país, incluindo as Regiões Autónomas. A participação no estudo será feita através de uma avaliação presencial, realizada num laboratório de análises clínicas próximo da área de residência dos participantes, garantindo abrangência territorial e facilitando o acesso à população-alvo. Esta estratégia permitirá recolher dados robustos e representativos da realidade epidemiológica portuguesa, com especial enfoque nas assimetrias regionais.
