Os documentos previsionais da câmara de Amares, orçamento e plano de atividades, foram aprovados por maioria, com votos a favor dos três elementos do PSD e do vereador independente, Rui Tomada, a abstenção dos vereadores do PS e voto contra do vereador, Álvaro Silva.
O presidente da Câmara de Amares, Emanuel Magalhães, começou por justificar que “o tempo foi curto para a elaboração do orçamento, que é de transição”. Ainda assim, “foram feitas algumas melhorias no apoio ao associativismo”, deixando a promessa de que “tudo faremos para que, no próximo ano, possa haver uma fiscalização maior sobre os subsídios que entregamos as associações”. A autarquia majorou, também, os apoios na área social.
“Consideramos na relação das juntas que nos propusemos a responder aos seus anseios e ainda que haja rubricas com valores simbólicos, temos dinheiros em trânsito para injetar nessas rubricas”.
Emanuel Magalhães fala numa “aposta clara na água com a construção de uma estação elevatória os terrenos não são do município. Estamos a trabalhar em sede de avaliação o valor dos terrenos para depois trazer ao município a proposta final. Há ainda uma verba para o processo de filtragem da água e vai avançar a realização de um projeto para mais 33 quilómetros na rede de saneamento”. O município disponibiliza, ainda, uma verba para a climatização da piscina.
Há reforço nas verbas para o arrendamento e para a habitação, para os serviços externos continuando “a dar respostas rápidas como temos feito neste início de mandato”.
Obras
As ecovias e a valorização das margens dos rios, as obras em três centros escolares, Rendufe, Ferreiros e Gualdim Pais são projetos a concretizar em 2026.
A requalificação do Centro de Saúde, também, vai avançar, mas o autarca alertou “para os constrangimentos que irão surgir, nomeadamente, os tempos de resposta com o andamento das obras”. Emanuel Magalhães vai perceber se é possível criar mais 4 ou 5 gabinetes para alargar a oferta de resposta na área da saúde, sobretudo, na pedo-psiquiatria.
O presidente da Câmara reconhece que, “este não é o orçamento perfeito, mas, atualmente, não há condições para fazer de outra forma” prometendo “empenho para que as coisas evoluam no futuro”.
PS
O vereador do PS, Pedro Costa, lamentou o prazo que o documento foi entregue para análise: “ainda que tenha sido dentro das 48 horas exigidas por lei, foi curto para analisar um documento tão extenso”. Sobre o documento referiu ser “um manifesto de continuidade que não denuncia a herança do passado. É um orçamento que no que é mau assume a continuidade. A receita está dependente das verbas transferidas pelo estado e que irão subir em relação a 2025, o que mais uma vez prova a baixa autonomia financeira do Município”.
Pedro Costa acrescenta, ainda, que “não há qualquer estratégia para aumentar as receitas próprias, consumindo as despesas 67% do valor total do orçamento e não há nada pensado para combater este peso excessivo. As despesas com pessoal aumentam 500 mil euros passando para 7.8 milhões de euros com mais 20 pessoas no mapa de pessoal”.
O PS lamenta que em termos de obras haja zero euros para o monte de São Pedro Fins ou para o museu da Geira, e que “se continue sem encontrar um critério para justificar verbas da freguesia”.
Abstendo-se, no final, o PS considera que o documento “não assume metas que libertem das amarras os que ainda cá moram. Este não é o modelo o que Amares precisa”.
Álvaro Silva
O vereador independente, Álvaro Silva, votou contra e começou por referir que “previa-se que houvesse uma estratégica diferente mas, infelizmente, lamenta-se que seja a mesma linha política apresentada pelo anterior executivo, não se vislumbra uma estratégia para o desenvolvimento do concelho. Esperava-se uma mudança na relação com as freguesias e continua a não haver uma política de transferência de competências para as freguesias, o mesmo se aplicando em relação as instituições”.
Para Álvaro Silva, “o investimento previsto é demasiado reduzido, as receitas das taxas igualam o investimento previsto, não é esforço, mas as receitas são apenas aquilo que é pago pelos munícipes. A despesa corrente cresce mais do que a receita corrente, a massa salarial cresce e há mais de 100 mil euros de horas extraordinárias”.
O vereador independente diz que o documento tem “ausência de uma visão estratégica, falta de rigor, aumenta de despesa corrente, e falta investimento no saneamento”.
Rui Tomada
O também vereador independente Rui Tomada, partilhou parte das preocupações dos colegas de oposição e quis saber o destino de 100 mil euros para a freguesias de Dornelas. O presidente da câmara referiu que o dinheiro será para realizar as infraestruturas básicas do complexo habitacional que está a ser construído na freguesia ao abrigo do PRR.
Ainda que lamente, o aumento da 1,4 milhões para a aquisição de bens e erviços, Rui Tomada deu um voto de confiança ao executivo, “até porque está disponível para ouvir as propostas da oposição. No entanto de hoje a um ano terei outra atitude perante os mesmos documentos”.
