O Parque Nacional da Peneda-Gerês (PNPG) abrange território de 22 freguesias, distribuídas por cinco concelhos de três distritos, Arcos de Valdevez, Melgaço, Ponte da Barca, no distrito de Viana do Castelo, Montalegre, no distrito de Vila Real e Terras de Bouro, no distrito de Braga. Esta Área Protegida forma um conjunto com o parque natural espanhol da Baixa Limia – serra do Xurés (na Galiza) constituindo com este, desde 1997, o Parque Transfronteiriço Gerês- Xurés e a Reserva da Biosfera com o mesmo nome.
No PNPG encontra-se a Mata de Albergaria, um bosque climácico dominado pelo carvalho-alvarinho, onde ocorrem também o carvalho-negral e outras espécies características dos carvalhais galaico-portugueses, que constituíam a vegetação primitiva de grande parte do noroeste de Portugal.
A sua relevância é reconhecida pela classificação como Reserva Biogenética pelo Conselho da Europa, atribuída em 1988. Embora existam outras manchas de carvalhal de grande valor no PNPG, a Mata de Albergaria destaca-se pela sua extensão e pelo excecional estado de conservação, sendo única em Portugal e uma das mais bem preservadas da Península Ibérica. Ocupa uma área de 1371,3 hectares na serra do Gerês, ao longo do vale do rio Homem e dos seus afluentes.
A este conjunto soma-se ainda a presença da via romana Geira, que atravessa a mata no troço compreendido entre as milhas XXXI (Bico da Geira) e XXXIV (Portela do Homem).
A Portaria n.º 31/2007, de 8 de janeiro, considera que atualmente, a intensa pressão humana, sobretudo durante o período estival, constitui um dos principais fatores de ameaça. Neste contexto, o elevado tráfego de veículos motorizados destaca-se como uma das principais fontes de perturbação na área da referida Reserva. Devido ao elevado número de veículos motorizado é cobrada uma taxa de acesso.
A Mata de Albergaria, de acordo com o Plano de Ordenamento do Parque Nacional, encontra-se classificada como zona de proteção parcial e total do ambiente natural, tendo como principal objetivo de gestão a preservação do seu valor ecológico.
Nos últimos dias tem sido noticiado o contrato da empreitada de pavimentação da estrada da Mata de Albergaria, num total de 791 mil euros, mais iva, assinado entre a autarquia de Terras de Bouro e uma empresa de Vila Nova de Famalicão.
A intervenção contempla a substituição do pavimento atual, em terra batida, por calçada. O projeto também prevê a instalação de barreiras e guardas de proteção, além da construção de valetas, sempre que as condições do terreno permitirem.
Para o Bloco de Esquerda, a pavimentação da estrada da Mata de Albergaria, “trata-se de mais um projeto que não garante a proteção da Mata de Albergaria, nem o Parque Nacional da Peneda-Gerês, nem assegura a preservação dos seus valores naturais, da paisagem ou dos habitats existentes”.
O deputado do Bloco, Fabian Figueiredo, questionou o Governo sobre os procedimentos que foram adotados pela Câmara Municipal de Terras de Bouro junto do ICNF, para obtenção de autorização para a obra referida e sendo a Mata de Albergaria classificada como zona de proteção parcial e total do ambiente natural como é possível realizar uma obra desta dimensão.
Por último, como será possível compatibilizar a preservação ambiental com o aumento da pressão turística que resultará da referida obra.
