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Comprar casa estabiliza nos 440.000€ e arrendar desce para 1.350€ após pico de fevereiro

O Imovirtual, portal imobiliário de referência em Portugal, divulga o Barómetro Geral relativo a março de 2026, que analisa a evolução dos preços médios anunciados de arrendamento e venda em Portugal, incluindo as regiões autónomas, comparando os dados com fevereiro de 2026 e março de 2025.

Em março, o mercado imobiliário apresenta uma leitura mista: o preço médio de venda estabiliza nos 440.000€, mantendo o valor registado em fevereiro e refletindo uma subida de +10% face a março de 2025 (400.000€). Já no arrendamento, observa-se uma correção após o pico registado no mês anterior, com o valor médio a descer de 1.500€ para 1.350€, mantendo-se, ainda assim, acima dos 1.250€ registados há um ano (+8%).

No segmento da venda, os dados apontam para uma fase de estabilização após um período de valorização contínua, ainda que com crescimento ativo em vários territórios. O Norte posiciona-se como a região mais cara, com um preço médio de 365.000€, registando um crescimento mensal de +5,8% e anual de +7,9%. Esta dinâmica é suportada por vários distritos, com destaque para Braga (370.000€; +9,4%), o Porto (425.000€; +9,0%), e Viseu (195.000€; +11,4%), a par de Bragança (124.250€; +12,9%), uma das maiores valorizações do país.

No Centro, a valorização mantém-se particularmente expressiva, com o preço médio a fixar-se nos 287.500€ (+23% anual). Esta evolução é impulsionada por distritos como Santarém (280.000€; +24,4%), Leiria (349.000€; +22,5%) e Coimbra (295.000€; +21,7%), reforçando a tendência de deslocação da procura para territórios mais acessíveis. Já Lisboa evidencia sinais de estabilização, com uma ligeira correção mensal de -0,8%, fixando-se nos 640.000€, ainda assim +3,6% acima de 2025.

No Sul, o mercado apresenta maior estabilidade, com o preço médio a manter-se nos 250.000€ (+4,2% anual), ainda que com desempenhos relevantes em alguns distritos. Portalegre destaca-se com +20,4% (138.500€), enquanto Beja sobe +16,7% (190.000€) e Faro consolida-se nos 580.000€ (+16%), mantendo-se entre os mercados mais caros do país.

Nas regiões autónomas, a análise centra-se nos mercados com maior consistência. A Madeira subiu para os 590.000€ (+3,5%), enquanto São Miguel sobe para 399.000€ (+11,1%). Já a Ilha Terceira regista uma valorização de +70,6% (290.000€), destacando-se como uma das maiores subidas do país, ainda que num mercado de menor escala.

No arrendamento, março marca uma correção após o pico de fevereiro, mas com crescimento anual relevante. O Sul lidera com 1.100€ (+22,2%), mantendo-se como a região mais cara para arrendar e também a que mais cresce, impulsionada por Évora (1.100€; +22,2%), Faro (1.350€; +8,0%) e Beja (750€; +15,4%), num contexto de forte pressão sobre a oferta disponível.

O Norte surge na segunda posição, com 950€ (+5,6%), evidenciando uma trajetória de crescimento consistente. Neste território, o Porto mantém-se como o principal referencial de preço, nos 1.200€ (+4,3%), enquanto Viana do Castelo regista uma descida para 1.083€ (-27,8%), após valores mais elevados nos meses anteriores. Destacam-se ainda Aveiro (950€; +5,6%) e Braga (950€; +5,6%), alinhados com a média regional, bem como mercados em crescimento mais acelerado como Viseu (650€; +18,2%) e Bragança (550€; +15,8%), que continuam a ganhar relevância no contexto nacional. Vila Real mantém-se nos 850€ (+6,2%), refletindo uma evolução mais estável.

O Centro mantém-se como a região mais acessível, com um valor médio de 812€ (+4,8%), refletindo maior estabilidade face às restantes regiões. Ainda assim, existem diferenças relevantes entre distritos, com Leiria a atingir os 900€ (+8,8%), posicionando-se entre os mercados mais dinâmicos da região, enquanto Coimbra se fixa nos 775€ (+3,3%) e Santarém nos 850€ (+6,2%). Em sentido oposto, Guarda regista uma descida para 470€ (-3,6%), evidenciando menor pressão da procura, e Castelo Branco mantém-se estável nos 600€.

Já Lisboa continua a ser o mercado mais caro do país, apesar de uma ligeira correção mensal de -2,8%, fixando-se nos 1.750€, valor que representa ainda um crescimento de +4,5% face a março de 2025, confirmando a pressão estrutural sobre o arrendamento na capital.

Nas Ilhas, observa-se maior volatilidade, com o valor médio a fixar-se nos 850€ (-10,5%), sendo a única região a registar uma descida tanto mensal como anual. Ainda assim, persistem dinâmicas distintas dentro do território, com a Madeira a manter-se nos 1.650€ (0% anual), posicionando-se entre os mercados mais caros, enquanto São Miguel sobe para 1.100€ (+18,9%), evidenciando uma trajetória de crescimento relevante. Já a Ilha Terceira fixa-se nos 700€, com uma quebra anual de -30%, refletindo maior volatilidade neste mercado.

“Os dados de março mostram um mercado que começa a entrar numa fase de maior equilíbrio, com a compra a estabilizar após um período de forte valorização e o arrendamento a ajustar depois de um pico recente. Ao mesmo tempo, continua a ser evidente uma redistribuição da procura para zonas fora dos grandes centros, onde ainda é possível encontrar um melhor equilíbrio entre preço e acessibilidade”, sublinha Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.

Os dados de março reforçam a ideia de um mercado em ajustamento, onde a estabilização dos preços de venda e a correção no arrendamento coexistem com uma tendência estrutural de redistribuição da procura. Num contexto de acesso cada vez mais desafiante à habitação, são os mercados fora dos grandes centros que continuam a ganhar relevância, contribuindo para um cenário cada vez mais diverso e assimétrico na evolução dos preços em Portugal.

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