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Exposição “Contra-Quiosque” da Braga 25 dá origem a livro que questiona lugar das cidades na produção de narrativas alternativas

‘Contra-Coleções: Diálogos entre Espaço Urbano e Arquivos’ é apresentado na próxima quinta-feira, 30 de abril, às 18h30, na Livraria Centésima Página, em Braga. Projeto dos Space Transcribers é editado pela neerlandesa Onomatopee Projects e pela Faz Cultura – Empresa Municipal de Cultura de Braga.

Como podem as coleções e os arquivos transformar as histórias que as cidades contam sobre si mesmas? É a partir desta questão que nasce Contra-Coleções: Diálogos entre Espaço Urbano e Arquivos, publicação que resulta do projeto Contra-Quiosque, desenvolvido pelos Space Transcribers no âmbito da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura.

Entre março e junho de 2025, cinco quiosques desocupados da cidade de Braga foram reativados como espaços expositivos temporários, aproximando arte, arquitetura, coleções e comunidades locais frequentemente ausentes do discurso urbano oficial.

Para cada quiosque foi convidado um artista-investigador com ligação às temáticas e comunidades envolvidas: Emília Rigová, Hilda de Paulo, Maria Trabulo, Marta Pinto Machado e Miguel Teodoro. A reabilitação arquitetónica dos quiosques foi da responsabilidade do arquiteto António Pedro Faria.

Um dos eixos centrais da publicação é a reflexão sobre o papel das cidades de pequena e média dimensão na produção de narrativas urbanas alternativas. Enquanto as grandes capitais tendem a concentrar e estabilizar os debates culturais e arquitetónicos em torno de temas emergentes — como a migração, o pós-colonialismo, os direitos LGBTQIA+ ou a crise climática — cidades como Braga constituem um terreno particularmente fértil para a experimentação crítica destes mesmos temas, em fricção com as narrativas dominantes e com as chamadas histórias oficiais.

Contra-Coleções propõe que o espaço urbano destas cidades possa ser pioneiro na forma como reivindica, discute e torna visíveis contranarrativas sobre lutas e aspirações de comunidades frequentemente pouco reconhecidas.

Este livro expande o gesto do projeto Contra-Quiosque, propondo a coleção não como algo estático, mas como prática viva, colaborativa e crítica. A publicação coloca os cinco artistas do projeto pensado para a Braga 25 em diálogo com artistas e pensadores de outras geografias: Thandi Loewenson (Reino Unido), Rafael Guendelman Hales (Chile), Mihaela Drăgan (Roménia), Caio Jade (Brasil) e Cooking Sections (Reino Unido/Itália). Através desses diálogos, bem como de ensaios visuais e textos críticos, cruzam-se temas como migração, memória, pós-colonialismo, feminismo Roma, ecologia e estudos trans.

O volume inclui ainda um ensaio crítico do curador Bruno Alves de Almeida e um texto da historiadora e crítica de arquitetura Jane Rendell.

Sessão de lançamento
O lançamento terá lugar no dia 30 de abril, às 18h30, na Livraria Centésima Página (Casa Rolão, Av. Central, n.º 118-120, Braga).

A sessão inclui a apresentação do livro pelos editores e uma sessão de leituras e reações com Chisoka Simões (CECS.UMinho), Tatiana Mendes (UMAR Braga), Elaine Vianna (Movimento Poesie-se), Maria Gil (atriz e ativista Roma) e Carlos Rosário (INL).

Entrada livre.

Sobre os Space Transcribers
Fernando P. Ferreira e Daniel Duarte Pereira são arquitetos e investigadores. Sob o nome Space Transcribers, desenvolvem projetos na interseção da arquitetura, curadoria e investigação artística. No âmbito da Braga 25 Capital Portuguesa da Cultura, conceberam três projetos: Forma da Vizinhança, Contra-Quiosque e Shopyard.

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