Curiosidades

Quase seis em cada dez pessoas diagnosticadas com glioma sentem ansiedade ou depressão

Ansiedade, medo e choque estão entre os sentimentos mais frequentemente relatados pelos portugueses diagnosticados com glioma, um tumor cerebral, desde o aparecimento dos primeiros sintomas até ao momento da confirmação do diagnóstico. Os dados resultam de um inquérito nacional promovido pela Associação Portuguesa do Cancro no Cérebro (APCCEREBRO), que evidencia o profundo impacto emocional associado à doença.

De acordo com os resultados do inquérito, a maioria dos inquiridos (58,5%) refere sentir ansiedade e/ou depressão, com 31,7% a confirmarem a existência de problemas no desempenho das suas atividades habituais. Cerca de três em cada 10 doentes (29,3%) reportam dores ou mal-estar, 19,5% desenvolvem problemas a andar e 9,8% revelam sentir dificuldade em tarefas básicas do dia a dia, como lavar-se ou vestir-se.

Segundo dados do GLOBOCAN, em 2022 foram diagnosticados 1203 novos casos de tumores do sistema nervoso central (SNC) em Portugal. Entre estes, os gliomas destacam-se como os tumores malignos primários mais frequentes. Foi precisamente para compreender o impacto da doença nas diferentes dimensões da vida e caracterizar a jornada do doente com glioma que a APCCEREBRO desenvolveu o estudo “Viver com Glioma”, em parceria com a 2Logical, com o apoio da Servier Portugal.

Os resultados revelam ainda um impacto significativo na vida profissional, social e familiar dos doentes. Quase sete em cada 10 inquiridos (68,3%) afirma que o glioma levou a uma redução da sua atividade profissional, 46,3% referem ter motivado uma redução das suas interações sociais e 12,2% ter causado tensão e distanciamento nas suas relações familiares.

O estudo revela ainda que o apoio psicológico, social/financeiro e o acesso a informação clara sobre a doença constituem as principais necessidades do doente (43,9%). E mostra que, quando se trata de procurar informação, os oncologistas (70,7%) são a principal fonte, seguido da APCCEREBRO (46,3%) e da internet em geral (41,5%).

“De certa forma, estes resultados vieram-nos mostrar que o glioma não é apenas uma doença, mas sim uma condição que transforma completamente a vida das pessoas, não só porque afeta a autonomia e a saúde mental, como a vida profissional e a vida familiar, e muitas das vezes, também a rede de apoio dos doentes e dos próprios cuidadores e familiares”, refere Inês Dias, vogal da direção da APCCEREBRO. “E também nos identificam as necessidades concretas, aquilo que os doentes e os cuidadores necessitam, tal como o apoio psicológico, o apoio social e o apoio financeiro”, conclui.

De resto, a área do apoio psicológico é já uma prioridade para a associação. “Neste momento, já temos uma linha de apoio emocional, a SOS Estudante, e fazemos tertúlias com os doentes, as ‘Voz de quem Vive’, normalmente uma vez por mês, em que partilhamos experiências desde o momento do diagnóstico até à reentrada das pessoas no mercado de trabalho”, refere.

Ficha técnica do estudo: Inquérito transversal, com uma amostra de 70 pessoas, realizado através de um questionário online, aplicado a doentes com glioma e cuidadores atuais/prévios, com o apoio da Servier. A recolha decorreu entre 21 de Outubro de 2025 e 17 de Abril de 2026. Os resultados foram analisados por estatística descritiva e a QdV avaliada com recurso à escala EQ-5D-5L (value set validado para a população portuguesa4), que varia entre 1 (saúde perfeita) e 0 (morte), podendo assumir valores negativos, com valores mais elevados a indicar uma melhor qualidade de vida5.

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