O deputado intermunicipal Jorge Gonçalves, eleito pelo Partido Socialista de Vila Verde, interveio na Assembleia Intermunicipal da CIM Cávado para denunciar “a persistência de graves falhas na cobertura de transporte público no concelho de Vila Verde” e exigir soluções concretas para as populações que continuam sem qualquer resposta de mobilidade.
Na discussão do novo modelo de prestação de serviços para o concurso público de transportes 2028–2034, Jorge Gonçalves sublinhou que, “apesar dos avanços previstos, os problemas reais das pessoas continuam por resolver”. O deputado destacou que “há freguesias de Vila Verde que, em período não escolar, não têm uma única passagem diária de transporte público, deixando centenas de habitantes completamente dependentes do automóvel ou de terceiros para aceder a serviços essenciais”.
“Estamos a falar de idosos que não conseguem ir ao centro de saúde, de jovens que não têm como chegar à escola ou ao emprego, de famílias que vivem isoladas dentro do próprio concelho. Isto não é aceitável”, afirmou.
Para além desta denúncia, Jorge Gonçalves colocou questões técnicas fundamentais sobre o modelo apresentado. Questionou a ausência de uma demonstração objetiva de que o novo modelo permitirá um custo por quilómetro inferior ao atual contrato, e pediu esclarecimentos sobre a Taxa Interna de Rendibilidade prevista, próxima
dos 8%, que considera elevada para um modelo em que o operador privado assume menos risco.
O deputado socialista defendeu que a CIM deve ir além do modelo tradicional e estudar soluções complementares adaptadas à realidade vilaverdense, como o transporte flexível ou transporte a pedido, já implementado com sucesso em concelhos vizinhos. Sublinhou que estas soluções são essenciais para garantir que nenhuma freguesia de Vila Verde fica desligada da rede de mobilidade, independentemente da densidade populacional.
Jorge Gonçalves reforçou ainda “a necessidade de apostar numa mobilidade estruturante entre concelhos e centros urbanos, defendendo ligações regulares e competitivas a Braga, articuladas com a rede TUB, de forma a servir melhor quem trabalha, estuda ou depende diariamente da cidade”.
O deputado concluiu afirmando que acompanha favoravelmente a proposta, mas com uma exigência clara: “Os transportes públicos têm de servir as pessoas. Vila Verde precisa de respostas reais, que cheguem a todas as freguesias e que garantam mobilidade digna para todos os vilaverdenses”.
