O CSVH participou na apresentação do livro “A Direção Técnica nas Respostas Sociais e da Saúde: Atribuições e Desafios”, coordenado e coautorado por Sílvia Machado, numa sessão realizada em Cabeceiras de Basto, que reuniu profissionais, dirigentes e entidades de referência dos setores social e da saúde.
Esta iniciativa, integrada na Feira do Livro, contou com a presença da coordenadora e co-autora do livro, Sílvia Machado, da Secretária de Estado da Ação Social e da Inclusão, Clara Marques Mendes, do Presidente da Câmara Municipal de Cabeceiras de Basto, Manuel António Teixeira, do Presidente da Assembleia Municipal de Cabeceiras de Basto, Manuel Sá Nogueira, do Presidente do CSVH, Jorge Pereira, bem como de diversos representantes institucionais, constituindo um importante momento de reflexão sobre o papel da Direção Técnica, as suas responsabilidades e os desafios crescentes colocados às organizações que atuam nas áreas social e da saúde.
Durante a sua intervenção, Jorge Pereira apresentou a dimensão, a evolução e o impacto do CSVH no território, destacando o percurso de crescimento da instituição, que passou de uma intervenção em três para seis concelhos — Amares, Barcelos, Braga, Póvoa de Lanhoso, Terras de Bouro e Vila Verde — através de um modelo de trabalho em rede e de uma gestão empresarial orientada para fins sociais.
Atualmente, o CSVH apoia mais de 500 utentes, através de sete edifícios e de uma equipa composta por mais de 250 profissionais. A instituição tem vindo igualmente a afirmar-se pela qualidade e inovação das suas respostas, refletidas em diversos selos de qualidade, prémios e distinções que reconhecem o trabalho desenvolvido ao longo dos anos.
O Presidente do CSVH sublinhou ainda a importância estratégica do território abrangido pela instituição, que integra uma população superior a 420 mil habitantes, dos quais cerca de 90 mil têm mais de 65 anos. Trata-se de uma realidade marcada por um envelhecimento crescente, mas também por uma dinâmica geracional relevante, com aproximadamente 3.500 nascimentos anuais, exigindo respostas sociais e de saúde cada vez mais diversificadas, especializadas e inovadoras.
No âmbito do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Jorge Pereira destacou o forte investimento realizado pelo CSVH, que apresentou 21 candidaturas, das quais 17 foram aprovadas e uma se encontra atualmente em fase de análise. Este trabalho permitiu mobilizar um investimento global superior a 12,5 milhões de euros, dos quais cerca de 7 milhões correspondem a financiamento a fundo perdido, reforçando significativamente a capacidade de resposta da instituição.
Um dos momentos centrais da sessão foi a partilha da experiência da Casa da Alegria, resposta especializada do CSVH dedicada às pessoas com Alzheimer e outras demências, reconhecida pela sua abordagem inovadora e centrada na pessoa.
Na sua intervenção, Jorge Pereira destacou a Casa da Alegria como um projeto diferenciador a nível nacional, concebido segundo princípios de neuroarquitetura e arquitetura favorável às demências, criando ambientes que promovem a orientação, a autonomia, o conforto e a qualidade de vida dos seus utilizadores. Referiu ainda a diversidade de programas terapêuticos desenvolvidos pela resposta, incluindo atividades de estimulação cognitiva, reabilitação física e motora e outras abordagens especializadas que contribuem para a manutenção das capacidades e do bem-estar das pessoas acompanhadas.
Foi igualmente evidenciado o papel da inovação social no desenvolvimento da Casa da Alegria, através da implementação de vários projetos apoiados pelo Portugal Inovação Social, que têm permitido testar novas metodologias de intervenção e reforçar o impacto social das respostas disponibilizadas.
A valorização dos profissionais do setor social e solidário constituiu outro dos temas centrais da intervenção do Presidente do CSVH. Jorge Pereira defendeu a necessidade de continuar a investir na melhoria das condições de trabalho, na valorização salarial, na qualificação e valorização curricular, bem como na criação de percursos de gestão e progressão profissional que permitam atrair, reter e desenvolver talento.
“O futuro das organizações sociais depende da sua capacidade para reconhecer, desenvolver e potenciar o talento das suas equipas. Só com profissionais qualificados, motivados e valorizados — incluindo técnicos, cuidadores e outros colaboradores que estão na linha da frente da intervenção social e dos cuidados de saúde — será possível responder aos desafios cada vez mais complexos que se colocam nestas áreas”, afirmou.
No âmbito da apresentação da obra, foi ainda destacado que o capítulo dedicado à Casa da Alegria resulta de um trabalho verdadeiramente colaborativo, reunindo os contributos de toda a equipa técnica da resposta.
