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Verão aumenta risco de queimaduras solares e cancro cutâneo em alguns gatos. Saiba como prevenir

Se tem um gato branco ou de pelagem clara, saiba que o seu patudo apresenta um risco elevado de desenvolver, tal como acontece nos humanos, queimaduras solares e cancro cutâneo. A exposição prolongada ao sol, sobretudo durante esta altura do verão, pode ser perigosa e provocar patologias graves. Conheça os principais riscos, as partes do corpo mais afetadas e, acima de tudo, o que pode fazer para proteger o seu amigo de quatro patas destes perigos.

“Os gatos são frequentemente associados a longas sestas ao sol, mas este cenário, que nos parece tranquilo, natural e um comportamento aparentemente inofensivo, tem um risco real e frequentemente subvalorizado, sobretudo em gatos com pelagem branca ou clara. Estes animais apresentam uma vulnerabilidade específica à radiação ultravioleta, com implicações diretas na saúde da sua pele”, afirma Fernanda Barradas, médica veterinária da ZU.

A principal explicação, acrescenta, “reside na melanina, o pigmento responsável pela cor da pele e do pelo, e que para além da sua função estética, atua como uma ‘barreira’ contra os efeitos nocivos da radiação ultravioleta. E os gatos brancos ou de pelagem clara produzem menos melanina, o que reduz esta proteção natural”. Como resultado, alerta a veterinária, “a radiação dos raios solares penetra mais facilmente nas células cutâneas, provocando danos no ADN. Este mecanismo é semelhante ao que ocorre nos seres humanos com pele clara, que também apresentam maior risco de queimaduras solares e cancro cutâneo”.

Fernanda Barradas identifica três grandes consequências na exposição prolongada ao sol nestes felinos:

  • Queimadura solar com eritema (vermelhidão), dor e descamação da pele.
  • Dermatite actínica – consiste na inflamação persistente da pele causada por exposição repetida aos raios ultravioleta.
  • Transformação neoplásica – com o tempo, o dano acumulado pode levar ao desenvolvimento de carcinoma de células escamosas, um dos tumores cutâneos mais comuns em gatos e com consequências nefastas se não for detetado precocemente.

A médica veterinária alerta que “este processo é cumulativo, ou seja, pequenas agressões repetidas ao longo de meses ou anos podem resultar em doença grave, mesmo sem sinais evidentes iniciais”.

Partes do corpo mais afetadas“As lesões surgem principalmente em áreas com menos pelo e pouca pigmentação, onde a proteção natural é ainda mais reduzida”. Fernanda Barradas detalha as zonas mais vulneráveis:

  1. Ponta das orelhas (pavilhão auricular)
  2. Nariz (plano nasal)
  3. Pálpebras e lábios

Gatos de interior também em risco

“Mesmo gatos de interior podem estar em risco, já que a radiação ultravioleta consegue atravessar os vidros das janelas, provocando danos cutâneos ao longo do tempo”, alerta a especialista.

Esteja atento a estes sinais

Os primeiros sinais são frequentemente subtis, refere a veterinária, “e podem ser confundidos com pequenas feridas como, por exemplo, áreas avermelhadas ou irritadas, crostas ou descamação persistente, pequenas feridas que parecem cicatrizar, mas voltam a aparecer, e a perda de pelo localizada”.

Para Fernanda Barradas, “estes sinais podem depois evoluir para úlceras, sangramento e dor e as lesões tornam-se mais profundas e invasivas. O risco não está no sol em si, mas na exposição prolongada e sem proteção, que pode transformar pequenas lesões aparentemente inofensivas em problemas graves de saúde”.

Proteger em 4 passos

A prevenção é a estratégia mais eficaz e baseia-se na redução da exposição solar, pelo que a recomendação da veterinária é que cumpra estes passos:

  • Evitar exposição nas horas de maior intensidade (10h–16h);
  • Proporcionar zonas de sombra;
  • Utilizar protetores solares próprios para animais;
  • Vigiar a pele e, a qualquer alteração, avaliar em consulta médico-veterinária.

“A avaliação veterinária precoce é crucial. Quando diagnosticado cedo, o carcinoma pode ter um prognóstico significativamente mais favorável”, afirma.

Consulte um Veterinário

Aconselhe-se com o seu médico veterinário sobre as opções mais adequadas ao contexto do seu animal de estimação, tendo em conta aspetos como a raça, idade, possíveis patologias, características específicas e histórico clínico do mesmo.

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