A reabertura de seis das 12 salas de cinema do Nova Arcada, em Braga, está prevista para o último trimestre deste ano, disse hoje à Lusa a agência de comunicação daquele centro comercial da Sonae Sierra.
As salas estão atualmente em fase de renovação e reabrirão sob a exploração da Cinebox, um novo operador do espaço, adiantou a fonte.
O Nova Arcada ficou sem cinema em janeiro, quando as seis salas que ainda estavam em funcionamento fecharam, na sequência do processo de insolvência da então empresa exploradora, a Cineplace.
Até ao final do ano, aquelas seis salas vão então reabrir, enquanto as restantes seis têm pendentes pedidos de desafetação de atividade, para serem disponibilizadas a outras atividades.
Na semana passada, numa audição parlamentar, a ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes, disse que aguardava os relatórios da Inspeção-Geral das Atividades Culturais (IGAC) sobre os pedidos de desafetação de atividade de salas de cinema, que estão pendentes desde 2023.
“Até novembro, impreterivelmente, eu vou ter de tomar uma decisão, que vai procurar considerar o relatório técnico que me for entregue pela IGAC”, disse.
As decisões da tutela vão ser tomadas à luz de uma nova portaria, que entrou em vigor em junho, que altera o regime de desafetação de atividade cinematográfica das salas de cinema.
Para tomar uma decisão, o Governo passa a precisar de pareceres, ainda que não vinculativos, de mais entidades, nomeadamente da Cinemateca Portuguesa, da Direção-Geral das Artes, do Instituto do Cinema e do Audiovisual e dos municípios.
Contactado pela Lusa, o município de Braga adiantou que, para já, emitiu parecer desfavorável ao pedido de desafetação das salas de cinema do Nova Arcada.
A autarquia justifica que a documentação que lhe foi remetida “não contém os elementos necessários para aferir se se encontram preenchidos os pressupostos previstos na Portaria n.º 249/2026/1, designadamente a demonstração da inviabilidade da manutenção da atividade cinematográfica e do esgotamento das alternativas que permitam preservar a função cultural do espaço”.
“Nestas circunstâncias, o município emitiu, nesta fase, parecer desfavorável, por considerar que não dispõe de informação suficiente que sustente uma decisão diferente”, sublinha.
Ressalva que esta posição não constitui uma recusa definitiva do pedido.
“O município de Braga mantém total abertura para reapreciar o processo caso sejam disponibilizados os elementos em falta e estes permitam demonstrar o cumprimento dos requisitos legalmente estabelecidos”, acrescenta.
Reitera ainda a sua “inteira disponibilidade” para colaborar com a tutela e com a Inspeção-Geral das Atividades Culturais, partilhando o objetivo de salvaguardar o acesso à cultura e a preservação da rede de salas de cinema, sempre em conformidade com o enquadramento legal aplicável”.
O Ministério da Cultura decidiu alterar o regime de desafetação depois de, em 2025 e no início deste ano, ter ocorrido o encerramento de várias salas de cinema do circuito comercial, sobretudo da exibidora Cineplace, que entrou em insolvência, e também de algumas salas da NOS Lusomundo Cinemas.
Na sequência destes encerramentos, o Ministério da Cultura suspendeu as decisões sobre pedidos de desafetação e criou em novembro de 2025 um grupo de trabalho, que apresentou a 06 de abril várias recomendações para revitalizar o setor, incluindo alterações ao regime de desafetação de salas.
Na altura, o grupo de trabalho revelou que estavam pendentes ou em fase de instrução 12 pedidos de desafetação de um total de 52 salas de cinema, em localidades como Albufeira, Barreiro, Vila Nova de Gaia, Seixal, Loures, Guarda, Caldas da Rainha e Braga.
A cidade de Braga tem como alternativa os cinemas do Braga Parque, explorados pela NOS, com nove salas.
