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Memórias do rio aproximam gerações nas praias fluviais de Braga

As praias fluviais de Merelim São Paio e Adaúfe receberam dois encontros intergeracionais que deram voz às memórias de quem, no passado, viveu o rio como parte essencial do quotidiano.

A iniciativa ‘O tempo passa, a praia fica!’, promovida pelo Município de Braga no âmbito do desafio ‘Cápsula do Ambiente’, lançado pela Associação Bandeira Azul de Ambiente e Educação para 2026, juntou seniores e crianças numa partilha de histórias, tradições e vivências associadas aos espaços onde hoje se encontram as praias fluviais.

Na Praia Fluvial de Merelim São Paio, um grupo de mulheres da comunidade partilhou as suas memórias com 21 crianças do Centro Escolar de Merelim São Paio. As histórias recordaram os dias passados a lavar roupa nas rochas, o seu transporte à cabeça ou em carros de bois, os banhos no rio numa época sem água canalizada e a utilização da água para os animais.

Já na Praia Fluvial de Adaúfe, 15 utentes do Centro de Dia de Adaúfe encontraram-se com 52 crianças do ATL local. Entre os relatos estiveram a lavagem dos colchões, a roupa colocada a corar nas ilhas de areia, as travessias de barco entre as margens e o transporte dos cereais para os moinhos.

Depois de auscultarem os testemunhos, as crianças transformaram as histórias em desenhos que foram posteriormente apresentados ao grupo.

Para Altino Bessa, vice-presidente da Câmara Municipal de Braga, esta iniciativa demonstra que a política ambiental não se esgota na conservação dos recursos naturais. “Proteger o território implica também preservar as histórias, os conhecimentos e as práticas das comunidades que, ao longo de gerações, construíram uma relação profunda com os rios. As praias fluviais que hoje conhecemos como espaços de lazer foram, durante décadas, locais de trabalho, de encontro e de subsistência. Ao recuperarmos estas memórias, estamos a devolver-lhes a sua dimensão humana e a valorizar um património imaterial que não pode ser esquecido”.

O vice-presidente sublinha ainda que o diálogo entre gerações pode ser também uma ferramenta de educação ambiental. “As crianças aprendem a olhar para o rio não apenas como um espaço que utilizam no presente, mas como parte de uma história coletiva que têm a responsabilidade de conhecer, respeitar e preservar. Ao aproximarmos crianças e seniores, preservamos um património imaterial que não pode perder-se e criamos uma relação mais profunda das novas gerações com o território e com o ambiente”.

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