A presença das moradias no mercado residencial português continua a diminuir, sobretudo na construção nova. Os dados do Imovirtual mostram que apenas 7,3% da oferta de construção nova corresponde atualmente a moradias, refletindo uma clara predominância dos apartamentos nos novos empreendimentos. Ao mesmo tempo, entre maio e julho de 2026, a oferta de moradias caiu 12,2% face ao mesmo período do ano anterior, enquanto os preços continuaram a crescer muito acima dos registados nos apartamentos.
“A nova construção está hoje claramente mais orientada para apartamentos, enquanto as moradias assumem um peso cada vez mais reduzido neste segmento. Esta evolução contribui para uma menor disponibilidade deste tipo de imóvel no mercado e reforça o seu posicionamento como um produto cada vez mais escasso e valorizado”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
A diferença entre a oferta de construção nova e a oferta de imóveis em revenda é particularmente expressiva. Enquanto as moradias representam apenas 7,3% da oferta de construção nova, no mercado de revenda continuam a corresponder a 47,1% dos imóveis disponíveis. Os dados mostram que a construção nova está hoje praticamente concentrada em apartamentos, sendo a revenda o principal segmento onde as moradias continuam a ter uma presença significativa.
A menor disponibilidade começa também a refletir-se nos preços. Entre maio e julho de 2026, o preço médio das moradias aumentou 7,1%, enquanto os apartamentos registaram uma valorização de apenas 1,2%. Atualmente, uma moradia apresenta um preço médio cerca de 7% superior ao de um apartamento, refletindo uma escassez crescente deste tipo de imóvel.
Também a composição da oferta ajuda a explicar esta evolução. As moradias disponíveis continuam a ser maioritariamente imóveis de grande dimensão, com os T5+ a representarem 41% da oferta e os T4 outros 37%. Já os apartamentos apresentam uma distribuição mais diversificada, dominada pelos T3 (38%), seguidos dos T4 (33%) e dos T2 (14%), refletindo uma maior adaptação às necessidades dos mercados urbanos.
A transformação torna-se ainda mais evidente quando se analisa o segmento de luxo. Enquanto no mercado não-luxo as moradias representam 43,8% da oferta, no segmento premium esse peso sobe para 79,2%, confirmando que este tipo de imóvel assume uma posição dominante na oferta de maior valor. Em paralelo, a sua presença na construção nova continua a diminuir e a oferta disponível mantém uma trajetória descendente, reforçando a escassez deste tipo de habitação.
Os dados do Imovirtual mostram que as moradias continuam a desempenhar um papel relevante no mercado residencial português. No entanto, a menor presença na construção nova, a redução gradual da sua oferta e o crescente peso no segmento de luxo mostram que este tipo de imóvel está a assumir um posicionamento cada vez mais exclusivo dentro do mercado residencial português.
