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Estudo da Universidade Católica revela que a gestão das emoções é o fator mais importante para a saúde mental dos polícias

Uma investigação desenvolvida na Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP) realizada com agentes da PSP da Área Metropolitana do Porto indica que mais de 35% dos profissionais sofrem de stress elevado, mas o estigma ainda impede a maioria de procurar ajuda especializada.

Como lidam os agentes da Polícia de Segurança Pública com o stress de uma profissão marcada pelo risco constante e pela elevada exigência? A resposta não está nos anos de serviço ou na patente que exibem na farda, mas sim na sua capacidade de gerir e regular as próprias emoções. Esta é a principal conclusão do estudo intitulado “Policing, stress and coping: a characterization study with Oporto Portuguese Security Police Officers” desenvolvido no Human Neurobehavioral Laboratory (HNL) do Centro de Investigação para o Desenvolvimento Humano (CEDH) da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa (FEP-UCP).

O estudo tem Ana Moreno, doutorada em Psicologia Aplicada, como primeira autora e contou com a orientação de Patrícia Oliveira-Silva, diretora do HNL e docente da Faculdade de Educação e Psicologia da Universidade Católica Portuguesa, e a coorientação de Rowena Hill da Nottingham Trent University no Reino Unido, e de Susanna Rubiol Vilalta da Universitat Ramon Llull na Espanha. A equipa integrou, ainda, Ted Scharf, antigo investigador do National Institute for Occupational Safety and Health nos Estados Unidos.

Realizado junto de 123 agentes operacionais da PSP da Área Metropolitana do Porto, o estudo procurou compreender de que forma certos fatores sociodemográficos, ocupacionais e emocionais contribuem para os níveis de stress percebido e para a procura de apoio psicológico. No entanto, um dos dados mais preocupantes revela que, entre os polícias que registam níveis de stress acima do limiar clínico, apenas 16,7% admitiram ter procurado ajuda psicológica especializada. Segundo os investigadores, esta reduzida procura reflete o peso do estigma ainda associado à saúde mental nas forças de segurança, onde continua a prevalecer a imagem do agente imperturbável, o que leva muitos profissionais a encarar a manifestação de vulnerabilidade como um sinal de fraqueza individual.

A investigação analisou detalhadamente a supressão emocional, que consiste na tendência para conter ou não expressar as emoções. Embora esta estratégia seja uma ferramenta essencial durante emergências ou perigo iminente no terreno, o seu uso continuado e sistemático, sem um momento posterior de processamento emocional, pode contribuir para a acumulação de stress e aumentar significativamente o risco de burnout, ansiedade e depressão.

A primeira autora do estudo, a investigadora Ana Moreno, explica que dois agentes com o mesmo posto e os mesmos anos de serviço podem passar exatamente pelas mesmas situações de risco no âmbito do seu trabalho, mas aquele que consegue identificar e diferenciar as suas emoções lida potencialmente melhor com o impacto da rotina do que aquele que enfrenta essas situações reprimindo aquilo que sente no dia a dia.

A equipa de investigação já tem os próximos passos delineados para transformar a teoria em intervenção prática. Estes passam pelo reforço da colaboração com os Mossos d’Esquadra da Catalunha e pelo desenvolvimento de programas contínuos de treino em competências emocionais, recorrendo a técnicas de mindfulness e biofeedback para ajudar os agentes a gerir melhor as emoções em situações de intervenção em crise. A longo prazo, a equipa pretende contribuir para que estas práticas passem a integrar, de forma estruturada, a formação inicial e contínua das forças de segurança, promovendo uma abordagem preventiva da saúde psicológica.

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