Minho

Mostra com obras criadas a partir de roupa deitada ao lixo é inaugurada este mês em Guimarães

O artista transdisciplinar Tales Frey inaugura este mês, em Guimarães, uma exposição feita de obras criadas a partir de centenas de quilos de roupas que foram deixadas em contentores urbanos do norte de Portugal, foi hoje anunciado.

“Ao deslocar essas roupas do circuito do lixo para o espaço expositivo, Frey confronta o público com o paradoxo da produção acelerada de vestuário e da sua rápida obsolescência”, lê-se no texto de apresentação de “Quando um Corpo já não está presente”, que é inaugurada no dia 12 no CAAA – Centro para os Assuntos da Arte e Arquitectura.

Nesta mostra, à semelhança de uma outra que também é inaugurada este mês, em Lisboa, o artista “propõe uma reflexão sobre sustentabilidade, consumo, memória, identidade e responsabilidade coletiva”.

As obras que apresenta em “Quando um Corpo já não está presente” foram criadas “a partir da recolha de centenas de quilogramas de roupas abandonadas em contentores urbanos do norte de Portugal”.

“As peças deixam de ser apenas resíduos e passam a funcionar como vestígios de vidas, corpos e histórias ausentes, revelando aquilo que a sociedade de consumo insiste em tornar invisível”, lê-se no texto de apresentação da mostra.

A exposição “Em Suspensão”, com inauguração marcada para 25 de setembro, Dia Nacional da Sustentabilidade, no Museu Nacional do Traje, em Lisboa, reúne trabalhos recentes “que investigam a roupa como corpo político, arquivo de memórias e dispositivo crítico, articulando questões ambientais, sociais e identitárias”.

Esta mostra “adquire uma dimensão simbólica adicional por acontecer num momento singular da história” do Museu Nacional do Traje, encerrado para obras de reabilitação.

“A exposição será aberta ao público, reafirmando que a missão de um museu ultrapassa os seus edifícios e se concretiza na continuidade do acesso à cultura, ao pensamento crítico e ao encontro entre arte e sociedade”, lê-se no documento.

A mostra inclui a palestra “Indumento Performativo: corpo, memória e resistência na arte contemporânea”, que se realiza no dia da inauguração.

Com as duas mostras a inaugurar este mês, Tales Frey chama a atenção para “uma das maiores crises ambientais da atualidade: o impacto da indústria da moda e a cultura do descarte”.

“As duas exposições propõem uma tomada de posição perante um modelo económico baseado na produção excessiva, na exploração de recursos e na descartabilidade. Ao transformar roupas rejeitadas em esculturas e instalações, Tales Frey questiona o destino dos tecidos e as relações entre consumo, corpo, memória e cidadania”, salienta.

Tales Frey, nascido em 1982 em São Paulo, é pós-doutorando, professor e investigador auxiliar na Universidade do Minho.

Ao longo de 20 anos de produção artística, Tales Frey “apresenta o conceito de ‘indumento performativo’ e discute o vestuário como extensão simbólica do corpo, dispositivo político e ferramenta de participação social”.

A sua obra tem sido apresentada em exposições, tanto em Portugal como no estrangeiro, e está representada em “importantes coleções públicas internacionais”.

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