Nacional

Comissão define o próximo capítulo para as Capitais Europeias da Cultura após mais de 40 anos de sucesso

A Comissão Europeia renova e reforça o quadro das Capitais Europeias da Cultura para além de 2033, aplicando os ensinamentos de mais de 40 anos de experiência à próxima geração do programa.

O objetivo é simplificar o processo de seleção, reforçar o legado a longo prazo e o planeamento da sustentabilidade e facilitar a candidatura conjunta de grupos de cidades, incluindo parcerias transfronteiriças. Além disso, será reforçada a participação dos cidadãos e dos jovens e será dado maior peso ao desenvolvimento urbano inclusivo e sustentável.

Apoiadas pelo programa Europa Criativa da UE, quatro décadas de capitais da cultura demonstraram os muitos benefícios proporcionados a uma cidade que esteja em destaque durante um ano, desde novos espaços culturais e oportunidades criativas para as comunidades e os artistas, até redes locais mais fortes e visibilidade internacional.

Só nas capitais avaliadas entre 2013 e 2022, os programas registaram 38,5 milhões de presenças de públicos, sendo que uma capital típica realiza cerca de 1 000 a 1 200 atividades culturais no ano em que detém o título. Nas cidades selecionadas, o número de visitantes aumentou, em média, 30 % a 40 %.

Uma história bem-sucedida da cultura europeia desde 1985
Criada em 1985, a iniciativa «Capitais Europeias da Cultura» teve início em Atenas e, desde então, percorreu cidades, regiões e periferias de toda a Europa.

Desde a sua criação, foram 85 os detentores de títulos de Capital Europeia da Cultura. Oulu (Finlândia) e Trenčín (Eslováquia) detêm atualmente o título, seguindo-se Évora (Portugal) e Liepāja (Letónia) em 2027.

O que fica para lá do ano do título?
Em toda a Europa, o legado da iniciativa assumiu diferentes formas. Lille 2004 ajudou a transformar antigos espaços industriais numa rede de locais culturais e criou o impulso continuado hoje por Lille3000. Aarhus 2017 envolveu os 19 municípios da região central da Dinamarca, criando uma cooperação cultural regional que se manteve após o ano do título.

Em Košice, antigos quartéis e edifícios de bairro foram transformados em espaços culturais graças ao seu título de 2013. Mais de uma década depois, a organização do legado da cidade ainda gere 13 centros culturais. E em Leeuwarden-Fryslân, o título de 2018 deu origem ao Arcadia, um programa cultural recorrente em toda a província, com outra edição prevista para 2028.

Estas experiências estão a servir de base para o próximo quadro: planear com maior antecedência o que perdura, ir além de uma única cidade, envolver mais pessoas e facilitar a colaboração entre cidades e regiões.

Ir além das fronteiras da Europa
Ao longo dos anos, o programa expandiu-se para além das fronteiras da União Europeia. Ao abrigo da nova proposta, os países terceiros que participam ou estão associados ao programa Europa Criativa poderão concorrer ao título a partir de 2034.

Próximas etapas
A proposta da Comissão será agora negociada em paralelo no Parlamento Europeu e no Conselho, com vista a chegar a acordo sobre um texto final até meados de 2027.

Deixe um comentário