A Biblioteca Municipal Professor Machado Vilela, em Vila Verde, recebeu na sexta feira, dia 11 de setembro, a apresentação do livro “Adriano Correia de Oliveira: a obra”, da autoria de Octávio Fonseca.
Aberta por Manuela Barreto Nunes, a sessão, inseriu-se na agenda do Projeto “AQUI HÁ CULTURA! – 2026”, promovida pela Escola Profissional Amar Terra Verde e pela Câmara Municipal de Vila Verde.
No livro, lançado este ano, Fonseca adentra e explora a vida e obra do músico, compositor e instrumentista, que foi pioneiro do movimento de renovação da Música Popular Portuguesa, muito por causa das suas obras interventivas e que mais tarde culminariam nas conquistas de Abril.
Entre abraços de caras bem conhecidas, houve tempo ainda para reproduzir um pequeno vídeo de José Mário Branco no 1º Encontro Livre da Canção Popular do Porto, com citação a Adriano.
Este lançamento em forma de homenagem faz “justiça” ao trabalho escrito e cantado de Adriano Correia de Oliveira, muitas vezes deixado no esquecimento por parte de críticos e grande público.
Entre as paixões da escrita, da rádio e da música, Octávio Fonseca vem prestando várias homenagens publicadas em obras diversas. José Afonso, Carlos Paredes ou Mário Viegas já foram escrutinados pelo autor, que juntou ainda às suas obras uma das mais recentes publicações sobre Luís Cília, a quem agora se junta também Adriano Correia de Oliveira.
O lado da intervenção
A reunião aconteceu com o propósito de debater o tema “Criatividade e Responsabilidade Social: a cantiga (ainda) é uma arma?”, unindo grandes nomes da música de intervenção em torno da necessidade e do papel do meio artístico no desenvolvimento crítico do país.
Além de Octávio Fonseca, o encontro contou com a presença de várias figuras ilustres, entre elas Adolfo Luxúria Canibal, vocalista dos Mão Morta, o compositor e intérprete Luís Cília, o editor José Moças, e ainda com participação por via digital de Sérgio Godinho, figura incontornável do panorama musical português.
A participação deste último gerou entusiasmo geral no salão, afirmando que “Adriano Correia de Oliveira foi uma figura incontornável da música nacional, um artista cheio de sonhos, apesar da precariedade que se vivia na época”. Godinho terminou a sua participação com um repto: “Não parem, porque a luta vale a pena, em nome da música portuguesa”.
Numa sala repleta, Arnaldo Varela de Sousa abriu o diálogo entre convidados, dando a Luís Cília a palavra inicial. Entre conversas sobre música, poesia e o exílio, Cília afirmou que “musicar poemas apareceu de forma muito natural na minha vida, tive uma sorte imensa, foi fruto dos encontros”, afirmando não ter certeza de que a cantiga seja uma arma: “Não sei, mas talvez. Na minha época cantávamos muito à borla. Nunca cobrei um tostão para cantar para partidos políticos”, terminou.
Também Adolfo Luxúria Canibal se apresentou, falando diante das dezenas de pessoas presentes na biblioteca. Bem ao seu estilo, o frontman dos Mão Morta foi perentório: “Se a canção é uma arma? Acho que não. É um companheiro de luta, mas com as suas limitações. O criador percebe que há algo que se torna intolerável, asfixiante: ele tem o dever moral de tornar público aquilo que intui”, proferiu, alegando ainda que “as canções servem de bandeira, para meter o dedo na ferida. É um ato de resistência no meio das trevas em que se transformou a contemporaneidade”.
A terminar, houve ainda tempo para perguntas e respostas entre público e convidados, fechando a noite com uma surpresa musical de viola e voz.
A sessão foi encerrada por Manuel Lopes, vereador da Câmara Municipal de Vila Verde.
