Entre os dias 18, 19 e 20 de setembro, a estrutura artística Cassandra apresenta no Theatro Circo, em Braga, a estreia de “Nós, Sozinhas”, o mais recente monólogo com texto, encenação e interpretação de Sara Barros Leitão.
As três sessões de estreia encontram-se com a lotação esgotada. A sessão de domingo, dia 20, conta com Audiodescrição.
A nova peça assinala as (quase) duas décadas sobre a lei que despenalizou a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG) em Portugal. Partindo de um verso da escritora e ativista Maria Teresa Horta, o espetáculo revisita os julgamentos do passado, os dois referendos e a mobilização da sociedade civil que transformaram o país. A criação propõe uma reflexão sobre a solidariedade feminina e as redes informais de conhecimento partilhado como fio condutor da luta pelos direitos sexuais e reprodutivos. A partir da história recente, o espetáculo aborda os desafios que a lei enfrenta para responder às necessidades atuais do país, alertando para a urgência de proteger o direito à autonomia do corpo num contexto de crescente conservadorismo.
Paralelamente às apresentações de “Nós, Sozinhas”, são promovidas duas iniciativas gratuitas abertas ao público para aprofundar o debate social, político e artístico em torno do espetáculo e da história do aborto em Portugal.
No dia 19 de setembro, sábado, pelas 15h00, integrada no ciclo Formas de Fazer, a sessão “Um processo, acompanhado” convida a comunidade a conhecer por dentro a metodologia de trabalho da criadora. Sara Barros Leitão abre as portas dos bastidores para partilhar o processo de pesquisa dramatúrgica, criação e montagem que esteve na origem de “Nós, Sozinhas”, proporcionando um espaço de diálogo sobre os caminhos da criação teatral contemporânea e a articulação entre arte e cidadania.
No dia 26 de setembro, sábado, o ciclo Contexto acolhe uma conversa dedicada à história política e médica do aborto no país, reunindo a médica ginecologista, obstetra e ativista Ana Campos e a ex-deputada e gestora cultural Rita Rato. O encontro parte do mote lançado pelo espetáculo para discutir as conquistas históricas da interrupção voluntária da gravidez (IVG), o estado atual dos direitos sexuais e reprodutivos em Portugal e os desafios futuros perante o panorama social e político contemporâneo.
