A oferta de casas para arrendar está a aumentar em vários mercados portugueses em 2026. Uma análise do Imovirtual ao período acumulado do ano, em comparação com o período homólogo de 2025, mostra que, no conjunto dos mercados analisados, o número médio diário de anúncios aumentou 13%, passando de 34.291 para 38.812. Em paralelo, o preço médio anunciado recuou 6%, dos 1.465 euros para os 1.371 euros.
Os dados revelam, contudo, um mercado longe de ser uniforme. Lisboa e Porto continuam a concentrar, de forma destacada, a maior oferta analisada. Na capital, o número médio diário de anúncios passou de 16.846 para 19.113 (+13%), enquanto no Porto aumentou de 7.418 para 8.282 (+12%).
É fora dos dois maiores mercados que surgem algumas das variações mais expressivas. Coimbra registou um crescimento de 36%, Faro e Viana do Castelo cresceram 27%, enquanto Vila Real aumentou 20%. Em mercados de menor dimensão, Portalegre registou uma subida de 74%, embora partindo de uma base significativamente inferior.
A tendência de crescimento não é, contudo, transversal a todas as cidades. Leiria registou uma redução de 8% na oferta, enquanto na Guarda a descida chegou aos 35%,
A evolução dos preços também não foi uniforme entre cidades. Entre os mercados com maior volume de oferta, Lisboa registou uma redução de 8%, dos 1.608 para os 1.485 euros, enquanto no Porto o valor permaneceu praticamente estável, passando de 1.386 para 1.367 euros (-1%). Em Coimbra, a descida foi de 11%, dos 741 para os 657 euros, e em Setúbal a descida atingiu 12%, dos 1.585 para os 1.396 euros.
Outras cidades apresentam uma evolução diferente. Faro registou uma subida de 6%, atingindo os 1.914 euros, e Viana do Castelo aumentou 7%, para 1.263 euros. Entre os mercados de menor dimensão, Vila Real (+37%) e Portalegre (+46%) apresentam valorizações mais expressivas, reforçando a heterogeneidade do mercado de arrendamento português.
“O crescimento da oferta é um sinal positivo, sobretudo num mercado onde encontrar uma solução de arrendamento continua a ser difícil para muitas famílias. É ainda cedo para perceber se esta evolução está relacionada com as medidas recentemente implementadas para incentivar o arrendamento a rendas moderadas e será importante acompanhar os próximos meses. O que vemos, para já, é que, apesar da descida dos preços face ao ano anterior, o acesso ao arrendamento continua difícil nas principais cidades, onde os valores permanecem elevados. Ainda assim, termos mais oferta e alguns sinais de redução dos preços é uma evolução positiva, que esperamos que se consolide ao longo do tempo e se traduza numa maior capacidade de escolha para quem procura casa”, , afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Os dados do Imovirtual mostram, assim, um mercado de arrendamento com mais oferta no conjunto das cidades analisadas, mas com diferenças territoriais relevantes tanto na disponibilidade como nos preços. A evolução dos próximos meses permitirá perceber se o crescimento registado em 2026 representa uma alteração mais estrutural da oferta ou uma dinâmica conjuntural do mercado.
