Opinião

Depois do enfarte, a recuperação continua

Neste Dia Mundial do Coração, vale a pena falar de duas ferramentas que fazem a diferença após um enfarte agudo do miocárdio: a reabilitação cardíaca e o controlo dos fatores de risco.

Muitas pessoas saem do hospital com receio de fazer esforços físicos. Será seguro caminhar? Quando poderão voltar ao trabalho ou praticar exercício? Um programa de reabilitação cardíaca ajuda a responder a estas perguntas. Trata-se de um tratamento multidisciplinar com foco no controlo de factores de risco cardiovascular a na prática de exercício físico adaptada à patologia cardíaca de cada doente. À medida que recupera a sua capacidade e confiança, o doente aprende também a reconhecer os seus limites e a integrar o exercício na sua rotina. Mas a reabilitação cardíaca vai além do exercício. É uma oportunidade para compreender a doença, rever a medicação e trabalhar hábitos que protegem o coração. O apoio na cessação tabágica, na melhoria dos hábitos alimentares e lidar com as dificuldades da recuperação pode tornar mais sustentáveis mudanças que, feitas sem apoio, parecem difíceis.

Participar no programa é investir não apenas na saúde futura, mas também no regresso à vida quotidiana. Esse investimento exige conhecer e controlar os fatores de risco. Depois de um enfarte, o colesterol LDL — o chamado «mau colesterol» — deve atingir valores mais baixos do que os considerados adequados para muitas outras pessoas.

Tomar a medicação, repetir as análises e ajustar o tratamento quando necessário são passos essenciais. 

A tensão arterial e a diabetes merecem a mesma atenção, mesmo quando não provocam sintomas. E deixar de fumar continua a ser uma das decisões mais importantes. Controlar estes fatores não depende de uma única consulta ou de uma mudança temporária. Exige acompanhamento ao longo do tempo e um plano que cada pessoa consiga cumprir. Se tiver dificuldades com os medicamentos ou com os novos hábitos, é importante falar com a equipa de saúde.

Em Portugal, as doenças cérebro e cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morbimortalidade. Evitar novos enfartes é uma forma concreta de reduzir esse peso. Sobreviver é o primeiro passo; a reabilitação cardíaca e o controlo agressivo e continuado dos fatores de risco ajudam a transformar essa oportunidade em mais anos de vida com melhor qualidade.

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