Os 2.300 euros mensais, estabelecidos pelo governo como limite máximo no enquadramento das rendas moderadas, são hoje uma referência no debate sobre o mercado de arrendamento. Uma análise do Imovirtual, relativa ao período acumulado de 2026 e comparada com o período homólogo de 2025, mostra como está a evoluir a oferta dentro deste patamar: cerca de 88% da oferta analisada a nível nacional apresenta rendas até 2.300€, mas os imóveis disponíveis dentro deste limite são hoje, em média, 12% mais pequenos, enquanto os T1 ganharam 4,5 pontos percentuais de peso.
No período analisado, o número médio diário de anúncios com rendas até 2.300€ passou de 30.285 em 2025 para 34.270 em 2026, um aumento de cerca de 13%. Apesar deste crescimento, o peso dos imóveis até este valor no conjunto da oferta manteve-se praticamente inalterado face ao período homólogo, representando cerca de 88% em ambos os anos.
É na composição desta oferta que surgem algumas das alterações mais relevantes. A área média dos imóveis até 2.300€ diminuiu cerca de 12% face a 2025, ao mesmo tempo que os T1 aumentaram 4,5 pontos percentuais. Em sentido contrário, os apartamentos T3 e T4 perderam peso, apontando para uma maior presença de habitações de menor dimensão dentro deste patamar de renda.
“O facto de cerca de 88% da oferta analisada estar dentro do limite dos 2.300 euros é um dado relevante, mas não deve ser lido isoladamente. Dentro deste mesmo patamar encontramos realidades muito diferentes e vemos também que os imóveis são hoje, em média, mais pequenos e que os T1 estão a ganhar peso. Mais do que perceber quantos imóveis estão abaixo de determinado valor, importa perceber que tipo de habitação esse orçamento permite efetivamente encontrar”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Quando a análise se concentra especificamente no patamar mais próximo do limite, entre 2.000€ e 2.300€ mensais, surge uma dinâmica distinta. Nas cidades com comparação homóloga disponível, o número de anúncios desta faixa de preço passou de 851 em 2025 para 1.143 em 2026, um crescimento de cerca de 34%.
A concentração territorial é particularmente expressiva. Lisboa reúne cerca de 76% do total, e um crescimento de aproximadamente 43%.
O Porto surge em segundo lugar, mas bastante distante, com (+14%). Nas restantes cidades, este patamar de renda apresenta uma expressão significativamente inferior. Ainda assim, Funchal, Braga, Aveiro e Coimbra registaram um aumento da oferta face ao período homólogo, enquanto Faro, Setúbal, Viana do Castelo e Leiria apresentaram uma redução.
Apesar do crescimento do número de anúncios neste patamar, os preços médios entre 2.000€ e 2.300€ apresentam variações relativamente moderadas nos mercados com maior volume. Em Lisboa, o preço médio manteve-se estável de 2.143€ para 2.161€ (+0,8%), enquanto no Porto aumentou ligeiramente de 2.093€ para 2.158€ (+3,1%). No Funchal, a subida foi de 3,9%, em Braga de 2,9% e em Coimbra de 1,4%.
Em sentido contrário, Leiria (-4%), Viana do Castelo (-3,8%) e Faro (-3,1%) registaram descidas. Ponta Delgada apresentou a maior subida percentual (+8,8%), embora com um volume de oferta muito reduzido.
“É precisamente quando olhamos para o intervalo entre 2.000 e 2.300 euros que as diferenças territoriais se tornam ainda mais evidentes. Três em cada quatro anúncios analisados estão em Lisboa, enquanto em várias cidades a presença deste patamar de renda é residual. Isto mostra que um limite nacional não corresponde necessariamente à mesma realidade habitacional em todo o território. Os 2.300 euros podem representar mercados, imóveis e possibilidades de escolha muito diferentes consoante o local onde se procura casa”, acrescenta Sylvia Bozzo.
A análise mostra, assim, que o limite dos 2.300€ abrange uma parte muito significativa da oferta analisada, mas está longe de representar uma realidade homogénea. Enquanto os imóveis até este valor estão, em média, mais pequenos e os T1 ganham peso, a oferta mais próxima do limite — entre 2.000€ e 2.300€ — está fortemente concentrada em Lisboa. O valor da renda, isoladamente, conta apenas uma parte daquilo que cada orçamento permite efetivamente encontrar no mercado.
