O Centro de Juventude de Braga apresentou esta semana a Youth Work Academy, um novo programa de capacitação destinado a profissionais, técnicos, animadores, voluntários e outros agentes com intervenção direta ou coordenação de projetos na área da juventude.
A iniciativa pretende criar uma resposta estruturada e continuada para a qualificação de quem trabalha com jovens, combinando formação, experimentação, partilha de experiências e construção de uma comunidade de prática. A primeira edição prolonga-se até setembro de 2027 e está organizada em quatro Volumes de aprendizagem, dedicados a diferentes dimensões do trabalho com jovens.
Para Luís Rodrigues, Administrador Executivo da InvestBraga, a Academia representa mais um passo na evolução e afirmação do Centro de Juventude de Braga. “O Centro de Juventude de Braga é, por natureza, um projeto inacabado e de futuro. Temos um caminho construído, mas queremos continuar a acrescentar novas dimensões ao trabalho que aqui é desenvolvido e a responder aos desafios que os jovens e quem trabalha com eles nos colocam. A Youth Work Academy é mais um passo nesse percurso, reforçando a capacidade do Centro para ser também um espaço de conhecimento, capacitação e partilha de boas práticas”, disse o responsável.
Luís Rodrigues destacou ainda a importância estratégica da área da juventude no trabalho desenvolvido pela InvestBraga e a necessidade de garantir que os jovens participam na construção das respostas e estratégias que influenciam o futuro do território.
“Na InvestBraga entendemos a juventude como uma dimensão estratégica para o desenvolvimento do território. Quando iniciámos a construção do PEDE 2026-2038, fizemos questão de que o primeiro focus group fosse realizado precisamente com jovens, porque queremos que tenham voz na definição do futuro da cidade. Esta Academia parte também dessa vontade de criar condições para termos jovens mais envolvidos e profissionais e organizações cada vez mais preparados para trabalhar com eles”, acrescentou também.
Mais do que uma sequência de ações de formação, a Youth Work Academy foi concebida como um percurso continuado de qualificação, experimentação e aprendizagem entre pares, procurando que os conhecimentos e ferramentas adquiridos sejam posteriormente aplicados nos contextos reais de intervenção dos participantes.
A metodologia assenta na experiência, participação, Educação para os Direitos Humanos, transferência das aprendizagens para o terreno, construção de comunidade e avaliação contínua. Cada Volume deverá terminar com um compromisso concreto de aplicação das aprendizagens adquiridas.
Para Pedro Couto Soares, diretor do Centro de Juventude de Braga, esta dimensão prática é determinante para o impacto que se pretende alcançar, defendendo que “a Youth Work Academy nasce para criar um espaço continuado de aprendizagem para quem trabalha com jovens. Queremos que os participantes possam experimentar, questionar as suas práticas, aprender uns com os outros e, sobretudo, levar essas aprendizagens para os seus contextos de trabalho. Não se trata de fazer formação pela formação, mas de contribuir para melhorar, de forma concreta, a qualidade do trabalho com jovens”.
A Academia dirige-se a youth workers, técnicos, animadores, voluntários e outros agentes de juventude, incluindo profissionais experientes, prevendo-se uma dimensão indicativa de 15 a 30 participantes por Volume. Entre os critérios propostos encontram-se a ligação efetiva ao trabalho com jovens, a motivação para aplicar as aprendizagens, a diversidade territorial e organizacional e a disponibilidade para partilhar práticas.
A criação de uma resposta continuada de capacitação foi também destacada pelas organizações representativas do setor da juventude.
Fernando Vieira, presidente da Federação Nacional das Associações Juvenis (FNAJ), defendeu que “há uma necessidade muito concreta de criar oportunidades de formação para quem trabalha na área da juventude. Muitas vezes, essas oportunidades surgem de forma dispersa no tempo e no território, o que dificulta a capacitação contínua dos técnicos. Esta Academia responde precisamente a esse desafio, através de uma ação estruturada e juntando stakeholders essenciais do setor da juventude”.
Para o representante da FNAJ, a iniciativa constitui igualmente uma oportunidade para reconhecer e valorizar quem trabalha diretamente nesta área.
Também Hortense Santos, Vereadora da Câmara Municipal de Braga, destacou o percurso já realizado na área da juventude e a importância de continuar a aprofundá-lo. “Braga tem já um caminho muito significativo feito na área da juventude, mas sabemos também que há ainda caminho para percorrer. Ter um Centro de Juventude capaz de desenvolver este trabalho com os jovens e, simultaneamente, investir na capacitação de quem trabalha diariamente com eles é algo que devemos valorizar e continuar a aprofundar”, disse à margem da sessão.
A Youth Work Academy insere-se também no percurso do Centro de Juventude de Braga enquanto detentor do Selo de Qualidade para Centros de Juventude do Conselho da Europa, reforçando dimensões como a educação não formal, a participação, os Direitos Humanos e a qualificação do trabalho com jovens.
A formação pretende desenvolver competências na área da Educação para os Direitos Humanos e da Educação Não Formal, tendo como uma das suas referências o Compass – Manual para a Educação para os Direitos Humanos com Jovens, do Conselho da Europa. A equipa formativa prevista integra ainda um formador apoiado através do Conselho da Europa.
Jorge Orlando Queirós, do CDEJ, enquadrou a iniciativa numa dimensão mais ampla de promoção dos valores democráticos e de educação para a paz, sublinhando que “este projeto se enquadra precisamente numa das áreas fundamentais do Conselho da Europa: a construção de sociedades democráticas, a promoção da paz e a educação para a paz. A educação e a formação são pilares fundamentais para a Humanidade e vejo esta Academia como um contributo concreto para esse processo”.
Depois da Formação de Formadores em Educação para os Direitos Humanos, agendada já para novembro, a Academia prossegue com mais três Volumes. O segundo será dedicado ao exercício de simulação “Plano B”, uma experiência imersiva de educação não formal que permitirá trabalhar temas como Direitos Humanos, cooperação e desconfiança, gestão de recursos, igualdade e equidade e refletir sobre a distância entre os valores declarados e as decisões tomadas.
Segue-se “O Educador Não Formal: Agente de Mudança ou Conformista?”, dedicado ao papel, coerência e responsabilidade do educador não formal e à relação entre aprendizagem, valores, participação e relações de poder.
O quarto Volume será dedicado à Comunicação com Jovens, trabalhando dimensões como escuta ativa, clareza, feedback, comunicação em situações difíceis e adequação das linguagens e canais aos diferentes jovens e contextos.
