Os concelhos com os preços mais elevados do país continuam a apresentar evoluções distintas nos mercados de venda e arrendamento. Segundo o Barómetro dos Concelhos do Imovirtual, em setembro, a Calheta, na Madeira, apresenta o preço médio de venda mais elevado, nos 920.000 euros, enquanto no arrendamento Cascais lidera com 2.300 euros mensais.
No mercado de venda, depois da Calheta surgem os concelhos de Loulé e Oeiras, ambos com um preço médio de 800.000 euros, seguidos de Castro Marim, com 795.000 euros, e Lisboa, com 715.000 euros. São Brás de Alportel (695.000 euros), Faro (680.000 euros), Mafra (665.000 euros), Óbidos e Funchal (ambos com 650.000 euros) completam os 10 concelhos com os preços mais elevados.
A evolução face a setembro de 2025 mostra que vários destes mercados continuam a registar subidas relevantes. Faro apresenta o maior crescimento anual entre os 10 concelhos mais caros para comprar, com +15,3%, passando dos 590.000 para os 680.000 euros. Seguem-se Loulé, com +14,3%, Mafra, com +10,8%, e Oeiras, com +9,6%.
“A análise por concelho permite-nos perceber como mercados que apresentam níveis de preço semelhantes podem estar a evoluir de formas bastante diferentes. Entre os concelhos com os valores de venda mais elevados encontramos subidas superiores a 15%, mas também mercados praticamente estáveis ou em ligeira descida. Esta diversidade mostra a importância de acompanhar cada território individualmente e não assumir que os mercados com preços mais elevados seguem necessariamente a mesma trajetória”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Nem todos os concelhos no topo do ranking apresentam, contudo, um aumento de preço. Castro Marim recua 3,6% face a setembro de 2025, dos 825.000 para os 795.000 euros, enquanto Lisboa apresenta uma descida anual de 1,4%, para os 715.000 euros. Já a Calheta regista uma subida anual de 2,2%, dos 900.000 para os 920.000 euros.
No extremo oposto do mercado de venda, Idanha-a-Nova apresenta o preço médio mais baixo entre os concelhos analisados, com 68.000 euros, seguida de Castanheira de Pêra (70.995 euros) e Penedono (72.500 euros). Oleiros, apesar de continuar entre os mercados com preços mais reduzidos, apresenta uma subida anual de 44%, dos 52.250 para os 75.250 euros.
No arrendamento, Cascais mantém o preço médio mais elevado, com 2.300 euros mensais, apesar de uma descida de 9,8% face aos 2.550 euros registados em setembro de 2025. Seguem-se Sines (1.850 euros), Santiago do Cacém (1.800 euros), Oeiras (1.750 euros) e Loulé (1.730 euros). Lisboa surge nos 1.700 euros mensais.
É também no arrendamento que se encontram algumas das maiores variações anuais entre os mercados com preços mais elevados. Alcochete apresenta a maior subida, de 28,9%, passando dos 1.280 para os 1.650 euros mensais. Sines cresce 21,3%, para os 1.850 euros, e Santiago do Cacém 20%, para os 1.800 euros. Oeiras regista igualmente uma subida de 9,4%, para os 1.750 euros mensais.
“No arrendamento, os dados voltam a mostrar que estar entre os mercados mais caros não significa necessariamente que os preços estejam todos a subir. Temos concelhos com crescimentos superiores a 20% e, ao mesmo tempo, outros onde os valores recuaram face ao ano passado. Para quem procura um imóvel, estas diferenças são particularmente relevantes porque mostram que a realidade do arrendamento pode mudar significativamente de um concelho para outro, mesmo entre mercados posicionados no mesmo patamar de preços”, acrescenta Sylvia Bozzo.
Em sentido contrário, Loulé regista uma descida anual de 19,5% no arrendamento, dos 2.150 para os 1.730 euros mensais. Grândola recua 11,4%, para os 1.594 euros, enquanto Lisboa apresenta uma redução de 2,9%, para os 1.700 euros. Faro mantém-se nos 1.600 euros mensais, sem alteração face a setembro de 2025.
Entre os concelhos com os preços de arrendamento mais baixos considerados na análise, Tábua e Castro Daire apresentam ambos um valor médio de 400 euros mensais. Seguem-se Mangualde (440 euros), Sertã (445 euros) e Pedrógão Grande (457 euros). Neste grupo, Pedrógão Grande apresenta uma descida anual de 29,6%, enquanto Chaves recua 26,9%.
O Barómetro dos Concelhos do Imovirtual mostra, assim, um mercado marcado por diferenças significativas não apenas no nível dos preços, mas também na sua evolução. Na venda, os valores chegam aos 920.000 euros na Calheta, enquanto Faro cresce 15,3% num ano. No arrendamento, Cascais mantém-se nos 2.300 euros mensais, ao mesmo tempo que Alcochete sobe 28,9%. As diferenças entre concelhos reforçam a importância de uma leitura local da evolução do mercado imobiliário português.
