Apenas 14,4% dos apartamentos e moradias anunciados para venda no Imovirtual entre janeiro e setembro de 2026 custavam até 208 mil euros, valor que corresponde aproximadamente ao preço médio das transações realizadas por jovens abrangidos pela isenção de IMT e Imposto do Selo na compra da primeira habitação, segundo dados divulgados pelo Governo. Até ao final de junho, mais de 112 mil jovens tinham beneficiado desta medida.
No mesmo período de 2025, os imóveis dentro deste patamar representavam 20,7% da oferta. Em apenas 1 ano, passaram, assim, de representar aproximadamente 1 em cada 5 anúncios para cerca de 1 em cada 7, mostrando que quem procura comprar dentro de um valor próximo desta referência encontra hoje uma fatia significativamente menor do mercado disponível.
A diferença torna-se ainda mais evidente quando comparada com a evolução da oferta total. O número de anúncios de apartamentos e moradias até aos 208 mil euros caiu 33% face ao mesmo período de 2025, enquanto o total de anúncios destas tipologias para venda, considerando todos os preços, recuou apenas 2,8%. A redução da oferta está, assim, muito mais concentrada neste patamar de preço do que no conjunto do mercado.
“Quando utilizamos os 208 mil euros como referência, percebemos que a principal mudança não está apenas no preço dos imóveis, mas na quantidade de oferta que continua disponível dentro deste orçamento. Há 1 ano, cerca de 1 em cada 5 anúncios encontrava-se neste patamar; hoje é aproximadamente 1 em cada 7. Para quem procura comprar a primeira habitação dentro deste valor, significa ter um universo de escolha mais reduzido e ter de ponderar com maior atenção fatores como a localização, a tipologia ou o tipo de imóvel”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Geograficamente, o Porto continua a concentrar a maior fatia da oferta até aos 208 mil euros, representando cerca de 16% a 17% dos anúncios deste segmento nos períodos analisados. Em 2026, Setúbal e Lisboa perderam peso relativo, enquanto Coimbra, Braga e Castelo Branco ganharam representatividade, mostrando alterações na distribuição territorial dos imóveis disponíveis dentro deste orçamento.
Também mudou o tipo de imóvel disponível. Em 2025, os apartamentos representavam 53,6% da oferta até aos 208 mil euros e as moradias 46,4%. Em 2026, a relação inverteu-se: as moradias passaram a representar 55,6%, enquanto o peso dos apartamentos recuou para 44,4%.
A alteração é igualmente visível nas tipologias. Os T3 continuam a ser os mais representados, mas o seu peso diminuiu de 55,1% em 2025 para 48,5% em 2026. Em sentido contrário, os T2 aumentaram de 32,2% para 34% e os T1 de 12,6% para 17,5%. Dentro deste patamar de preço, as tipologias mais pequenas ganharam, assim, maior peso na oferta disponível.
“A composição da oferta também nos ajuda a perceber o que significa hoje procurar um imóvel até aos 208 mil euros. As moradias passaram a representar mais de metade dos anúncios disponíveis e os T1 e T2 ganharam peso, enquanto os T3 perderam representatividade. Ou seja, não temos apenas menos oferta dentro deste orçamento; a oferta que permanece disponível também está a mudar”, acrescenta Sylvia Bozzo.
A comparação entre os 2 períodos reforça a dimensão desta mudança. Enquanto o conjunto da oferta de apartamentos e moradias para venda se manteve relativamente estável, com uma redução de apenas 2,8%, o segmento até aos 208 mil euros perdeu 6,3 pontos percentuais de peso no mercado, passando de 20,7% para 14,4%.
Os dados do Imovirtual mostram, assim, que quem procura comprar dentro deste orçamento encontra atualmente uma proporção menor de imóveis disponíveis do que há 1 ano. Além da redução de 33% da oferta até aos 208 mil euros, mudou também a sua composição, com as moradias a ultrapassarem os apartamentos e os T1 e T2 a ganharem peso face aos T3.
