A classificação energética está associada a diferenças expressivas nos preços dos imóveis disponíveis para venda. Entre janeiro e setembro de 2026, os apartamentos e moradias anunciados no Imovirtual com classe energética A ou A+ apresentam um preço médio de 435 mil euros, enquanto os imóveis classificados como F ficam nos 240 mil euros. A diferença entre estes 2 patamares chega aos 81%.
A classificação energética permite avaliar o desempenho de um imóvel em termos de consumo de energia, numa escala que vai de A+ (mais eficiente) a F (menos eficiente). Os imóveis classificados como A+ ou A apresentam níveis elevados de eficiência, geralmente associados a melhor isolamento térmico, janelas eficientes ou utilização de energias renováveis. As classes B e B- correspondem também a bons níveis de desempenho, enquanto C e D representam níveis intermédios. Já as classes E e F identificam imóveis menos eficientes, normalmente associados a maiores necessidades de energia para aquecimento, arrefecimento e águas quentes sanitárias.
Na análise dos preços anunciados, os imóveis com melhor desempenho energético apresentam, de forma geral, valores mais elevados, embora esta relação não seja totalmente linear. Os imóveis de classe B apresentam o preço médio mais elevado, nos 449 mil euros, seguindo-se A, A+ e B-, todos nos 435 mil euros. Na classe C, o preço médio situa-se nos 340 mil euros, descendo para 305 mil euros na D, 290 mil euros na E e 240 mil euros na F.
Estas diferenças não significam, contudo, que a classificação energética determine, por si só, o preço de um imóvel. Fatores como localização, dimensão, idade, estado de conservação e tipo de imóvel têm igualmente um peso relevante. Os dados mostram uma associação entre classificação energética e preço, mas não permitem atribuir exclusivamente à eficiência energética as diferenças observadas.
“A eficiência energética é hoje um fator cada vez mais relevante na avaliação de um imóvel, sobretudo quando consideramos os custos associados à sua utilização ao longo do tempo. Mais do que olhar apenas para o preço de compra, importa perceber também o que uma habitação pode representar em termos de consumo energético e conforto. Os dados mostram diferenças expressivas entre classificações, mas também reforçam a importância de avaliar cada imóvel no seu conjunto”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
Os imóveis com melhores classificações energéticas estão também a ganhar peso na oferta. Mais de 1 em cada 3 imóveis anunciados em 2026 apresenta classificação A ou A+: em conjunto, estas classes representam 34,9% da oferta analisada, face a 31,6% em 2025, um aumento de 3,3 pontos percentuais.
A evolução é sobretudo explicada pela classe A, cujo peso passou de 21,2% para 24,4% da oferta. A classe A+ manteve-se praticamente estável, passando de 10,4% para 10,5%.
A composição da oferta revela ainda diferenças claras entre apartamentos e moradias. Em 2026, os apartamentos representam 79,8% dos imóveis classificados como A, enquanto nas classificações menos eficientes a relação se inverte: as moradias representam 72,9% dos imóveis de classe F.
“A composição da oferta ajuda-nos também a perceber que estamos perante segmentos diferentes do mercado. Os apartamentos têm um peso muito elevado nas classificações energéticas superiores, enquanto as moradias predominam nas classes mais baixas. É mais uma razão para não olharmos para a classe energética de forma isolada, mas também mostra como o perfil da oferta disponível varia significativamente consoante o desempenho energético dos imóveis”, acrescenta Sylvia Bozzo.
Entre 2025 e 2026, os preços aumentaram em praticamente todas as classificações energéticas. As classes E e F registaram as maiores subidas, ambas de 11,6%, enquanto nas classificações superiores os aumentos foram mais moderados: 3,6% nos A+ e 3% nos A.
Uma classificação energética superior também não está necessariamente associada a um menor tempo de permanência dos anúncios. Considerando os dados de 2025, os imóveis de classe A apresentaram um tempo médio de permanência de 95 dias, enquanto os A+ registaram 70 dias. Já as classes C e D apresentaram os períodos mais reduzidos, ambos com 61 dias.
