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Regadio nacional precisa de €1,1 mil milhões para concretizar 111 projetos prontos para avançar

A Federação Nacional de Regantes de Portugal (FENAREG) identificou uma carteira de 111 projetos de regadio, correspondente a um investimento de cerca de 1,1 mil milhões de euros, destinada a modernizar infraestruturas, reduzir perdas de água e energia e reforçar a capacidade de armazenamento e distribuição.

Promovido pela Federação Nacional de Regantes de Portugal, em parceria com o Município de Reguengos de Monsaraz, o encontro reunirá responsáveis políticos, entidades públicas, gestores de infraestruturas, associações de regantes e agricultores para discutir como transformar a estratégia “Água que Une” em investimento no terreno.

A concretização destes projetos e as decisões necessárias sobre prioridades, financiamento e calendário estarão no centro das XVII Jornadas FENAREG – Encontro Regadio 2026, que se realizam nos dias 18 e 19 de novembro, em Reguengos de Monsaraz.

A carteira de projetos integra intervenções em diferentes fases de maturidade, incluindo projetos já em condições de avançar para obra. Para a FENAREG, a aprovação da estratégia nacional “Água que Une” criou um enquadramento importante, mas terá agora de ser acompanhada por recursos financeiros e por um calendário de execução.

“Portugal já conhece as necessidades e dispõe de projetos concretos. A questão que se coloca agora é saber quais avançam primeiro, como serão financiados e quando começam as obras. Adiar não representa uma poupança: prolonga as perdas de água, agrava os custos de manutenção e limita a capacidade de produzir alimentos no nosso país, com um elevado custo para os cidadãos e para a nossa economia”, afirma José Núncio, presidente da FENAREG.

De acordo com as estimativas da Federação, que avalia em cerca de 2 mil milhões de euros as necessidades de investimento no regadio coletivo até 2030, uma década de atraso na realização dos investimentos agrícolas associados à “Água que Une” poderá representar um custo superior a 5,4 mil milhões de euros para a economia.

Água e segurança alimentar no centro do debate
Portugal consegue armazenar o equivalente a cerca de 20% das afluências anuais, apesar de receber água suficiente para responder às suas necessidades. A irregularidade da precipitação, as diferenças entre regiões e a limitada capacidade de retenção tornam o país mais vulnerável aos períodos de seca.

Para a FENAREG, a disponibilidade previsível de água deve ser encarada como uma condição da segurança alimentar. Sem capacidade para armazenar, distribuir e utilizar este recurso de forma eficiente, diminui a produção nacional, aumenta a exposição às importações e torna-se mais difícil garantir regularidade no abastecimento à indústria, à distribuição e aos consumidores.

As Jornadas reunirão responsáveis políticos, entidades públicas, associações de regantes, agricultores e especialistas para discutir o modelo de financiamento dos investimentos, o lugar do regadio coletivo na Política Agrícola Comum depois de 2027 e a articulação entre as entidades com responsabilidades na gestão da água.

“Num contexto climático, económico e geopolítico mais instável, a capacidade de produzir alimentos é também uma questão de autonomia e soberania. A segurança alimentar começa muito antes de os produtos chegarem à indústria ou às prateleiras das superfícies comerciais onde ficam à disposição dos cidadãos: começa na existência de água para produzir”, sublinha José Núncio.

Reguengos mostra o impacto do regadio no território
A escolha de Reguengos de Monsaraz permitirá ligar o debate nacional a investimentos em curso no território. O Circuito Hidráulico de Reguengos e os respetivos blocos representam um investimento superior a 88 milhões de euros e deverão beneficiar aproximadamente 10.273 hectares.

O Bloco de Rega de Reguengos abrangerá cerca de 4.786 hectares numa região marcada pela vinha, pelo olival e pela pequena propriedade, criando condições para reforçar a atividade agrícola, atrair investimento e manter valor económico no território.

O programa das Jornadas inclui o painel “Bloco de Rega de Reguengos: o futuro da região” e o debate “Água que Une – Da estratégia à execução: o novo ciclo de investimento no regadio português”.

No dia 19 de novembro terá lugar uma visita técnica às obras do Circuito Hidráulico de Reguengos, à reabilitação do aproveitamento hidroagrícola do Lucefecit e a uma exploração agrícola da região.

As XVII Jornadas FENAREG são promovidas pela Federação Nacional de Regantes de Portugal, em parceria com a Câmara Municipal de Reguengos de Monsaraz.

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