Comprar um imóvel para renovar pode representar um investimento inicial significativamente inferior ao de um imóvel pronto a habitar. Segundo dados do Imovirtual, entre janeiro e setembro de 2026, os apartamentos e moradias para renovar apresentavam um preço médio anunciado de 150 mil euros, face aos 390 mil euros dos imóveis prontos a habitar, uma diferença de 240 mil euros.
Esta diferença deve, contudo, ser analisada tendo em conta as características dos imóveis e os custos das intervenções necessárias. Fatores como a localização, a área, o estado de conservação e a dimensão das obras podem influenciar significativamente o investimento total, pelo que o preço anunciado não representa necessariamente o custo final de aquisição e renovação.
A evolução dos preços revela também diferenças expressivas entre os 2 segmentos. Os apartamentos para renovar registaram uma subida de 50% num ano, passando dos 150 mil euros em 2025 para os 225 mil euros em 2026. Em comparação, os apartamentos prontos a habitar aumentaram 5,4%, para os 353 mil euros, mostrando ritmos de evolução bastante distintos.
“Comprar um imóvel para renovar pode ser uma alternativa para quem procura um preço de aquisição mais baixo, mas é fundamental avaliar o investimento no seu conjunto. O orçamento das obras, os prazos e as condições do imóvel são determinantes para perceber se esta opção é realmente vantajosa. Os dados mostram que a diferença de preços continua a ser expressiva, apesar da subida significativa dos apartamentos para renovar no último ano”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
A análise mostra também que os imóveis para renovar estão a perder peso relativo na oferta anunciada. Em 2025, representavam 13,8% dos anúncios analisados, enquanto em 2026 passaram para 10,5%, uma redução de 3,3 pontos percentuais. Em sentido contrário, os imóveis prontos a habitar aumentaram a sua representatividade de 86,2% para 89,5%, consolidando-se como a grande maioria da oferta.
As diferenças tornam-se particularmente evidentes quando se analisam apartamentos e moradias separadamente. Nos apartamentos prontos a habitar, o preço médio situa-se nos 353 mil euros, enquanto os apartamentos para renovar apresentam um valor de 225 mil euros. Nas moradias, a distância é ainda maior: os imóveis prontos a habitar chegam aos 485 mil euros, face aos 130 mil euros das moradias para renovar.
A composição da oferta ajuda também a compreender estas diferenças. Entre os imóveis prontos a habitar, os apartamentos representam 62,1% dos anúncios, enquanto as moradias correspondem a 37,9%. Já nos imóveis para renovar, a relação inverte-se: 69,2% são moradias e apenas 30,8% apartamentos.
“Os imóveis para renovar continuam a representar uma alternativa no mercado, mas têm hoje um peso menor no conjunto da oferta anunciada. Ao mesmo tempo, verificamos que as moradias predominam claramente neste segmento, enquanto os apartamentos têm maior representatividade entre os imóveis prontos a habitar. São diferenças importantes para compreender que opções existem efetivamente para quem está a ponderar comprar e recuperar um imóvel”, acrescenta Sylvia Bozzo.
Geograficamente, Setúbal concentra a maior fatia dos anúncios de imóveis para renovar, com 15,5%, seguindo-se Lisboa (14,5%) e Porto (12,7%). Estes 3 distritos representam, em conjunto, 42,7% dos anúncios de imóveis para renovar analisados em 2026.
O comportamento dos utilizadores revela também diferenças. Em 2026, os imóveis prontos a habitar concentraram 80,4% das visualizações, face aos 76,3% registados em 2025. Já os imóveis para renovar passaram de 23,7% para 19,6% das visualizações. Apesar desta redução, os imóveis para renovar continuam a concentrar 19,6% das visualizações, quase o dobro do seu peso na oferta, que se situa nos 10,5%.
