Vila Verde

Cabanelas em Vila Verde tem uma ‘nova aldeia’

Amélia Silva e Nuno Coelho são os responsáveis por um projeto de recuperação que transformou um conjunto de edifícios em ruínas num espaço de alojamento turístico, onde a história, a arquitetura e a natureza se encontram. A ‘Aldeia dos Moinhos’ fica em Cabanelas e é o mais recente alojamento rural do concelho.

A história do local remonta a 1937, quando o conjunto era composto por um lagar de azeite, um moinho, uma serração e uma habitação. Situado numa envolvente rural, marcada pelo campo, pela aldeia e pela presença da água, o espaço tinha uma forte ligação à vida e às atividades tradicionais da região.

Quando Amélia e Nuno adquiriram a propriedade, encontraram um cenário de ruínas. A recuperação implicou uma intervenção profunda: foram aproveitadas as poucas paredes que ainda subsistiam, enquanto o restante edifício foi reconstruído de raiz. A primeira preocupação passou pela consolidação das paredes e dos tetos, garantindo a estabilidade das estruturas existentes. A própria empresa responsável pela reconstrução acompanhou o processo, numa obra que exigiu um trabalho cuidado e uma renovação integral.

O projeto começou a ganhar forma em 2022, tendo a intervenção mais profunda sido realizada ao longo do último ano, com a fase final em setembro. A arquitetura foi desenvolvida pelos próprios proprietários, com apoio técnico de arquitetos, procurando conciliar as necessidades de conforto contemporâneo com a identidade histórica do conjunto.
O resultado é um empreendimento de alojamento turístico composto por sete unidades: dois apartamentos T2 e cinco T1. O espaço dispõe de piscina e tem capacidade para acolher cerca de 25 pessoas, incluindo soluções adequadas a famílias com crianças e bebés, com equipamentos que permitem responder às necessidades dos mais pequenos.

A localização, associada ao ambiente tranquilo do campo, à memória do antigo moinho e do lagar e à proximidade da aldeia, constitui um dos principais atrativos do projeto. A água que envolve a propriedade contribui igualmente para a atmosfera natural e para a experiência de descanso que se pretende proporcionar aos visitantes.

A gestão das reservas é feita através de plataformas digitais, como o Booking.com e o Airbnb, mas também diretamente, sobretudo das redes sociais. Cerca de 30% das reservas são realizadas diretamente com os proprietários, reforçando a relação próxima com os hóspedes. A estadia mínima é de duas noites, e os visitantes podem utilizar a cozinha das respetivas unidades, beneficiando de maior autonomia durante a sua permanência.

Embora o pequeno-almoço não esteja incluído no preço do alojamento, é disponibilizada uma oferta de boas-vindas, com alguns produtos essenciais e fruta da época, valorizando os produtos sazonais e proporcionando um primeiro contacto acolhedor com o espaço.

A procura tem demonstrado sinais positivos, tendo sido registadas 16 reservas num período de duas semanas. O empreendimento recebeu visitantes de várias nacionalidades, com destaque para os mercados neerlandês, espanhol e italiano, além dos turistas portugueses. Segundo os dados partilhados pelos proprietários, cerca de 60% dos clientes são portugueses e 40% estrangeiros.

A inauguração está prevista para breve, assinalando uma nova etapa na vida de uma propriedade que, depois de décadas de história e de um período de abandono, renasce com uma nova função.

Mais do que recuperar edifícios antigos, Amélia Silva e Nuno Coelho deram uma nova vida a um espaço ligado à memória rural, transformando-o num lugar de acolhimento, descanso e contacto com a natureza. Um projeto que procura preservar os vestígios do passado e, ao mesmo tempo, oferecer aos visitantes uma experiência de alojamento confortável, integrada na paisagem e na identidade local.

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