Curiosidades

Oscilações emocionais em sobredotados podem estar ligadas ao desajuste social

As oscilações emocionais observadas em algumas pessoas sobredotadas podem estar relacionadas não apenas com a intensidade da resposta emocional, mas também com o desajuste entre capacidade intelectual, autonomia, exigência e recompensa. Esta é a hipótese apresentada num estudo publicado em 2026 na Open Minds International Journal, liderado pelo neurocientista Dr. Fabiano de Abreu Agrela Rodrigues.

O artigo, intitulado Emotional Fluctuations in Gifted Individuals: The Hypothesis of Intensity as Amplitude and Social Misalignment as a Trigger, propõe distinguir dois elementos: a intensidade da reacção e aquilo que a desencadeia.

Segundo Fabiano de Abreu, situações repetitivas, pouca autonomia, tarefas abaixo da capacidade individual ou acontecimentos percepcionados como injustos podem funcionar como factores desencadeadores em algumas pessoas sobredotadas.

A hipótese não afirma que todas as pessoas com elevado QI apresentem maior instabilidade emocional, nem que inteligência elevada provoque directamente alterações emocionais. A literatura científica permanece dividida sobre esta relação.

Um estudo com membros europeus da Mensa identificou maior frequência autorrelatada de alguns diagnósticos psicológicos, mas apresentou limitações de amostragem. Já uma investigação posterior baseada no UK Biobank não encontrou maior prevalência global de perturbações psiquiátricas entre participantes com maior capacidade cognitiva.

Para Fabiano de Abreu, esta diferença reforça a necessidade de analisar o ambiente. Uma pessoa pode possuir capacidade para resolver rapidamente determinada tarefa, mas permanecer exposta a procedimentos repetitivos, pouca autonomia ou exigências incompatíveis com o seu nível de competência. Esse desajuste poderá contribuir para frustração e reactividade emocional.

O estudo também alerta para o risco de interpretar oscilações emocionais de forma isolada. Alterações rápidas de humor não permitem, por si só, concluir pela existência de perturbação bipolar ou perturbação de personalidade borderline.

A avaliação clínica deve considerar duração dos sintomas, alterações do sono e energia, impulsividade, funcionamento interpessoal e relação temporal entre acontecimentos e respostas emocionais.

O trabalho apresenta uma proposta teórica e uma revisão crítica da literatura, sem novos dados experimentais. Os autores defendem que a hipótese seja testada através de estudos que acompanhem pessoas sobredotadas em diferentes condições de exigência intelectual, autonomia e recompensa.

Fabiano de Abreu é neurocientista, investigador e professor universitário, com actividade científica nas áreas da cognição, inteligência e comportamento.

Deixe um comentário