Na Black Friday, os assistentes de inteligência artificial podem ajudar os consumidores a pesquisar produtos, comparar preços e encontrar promoções. No entanto, as recomendações de compra feitas por estas ferramentas podem conduzir a lojas fraudulentas, uma vez que não garantem a legitimidade dos vendedores. A ESET alerta para este risco e recomenda confirmar a identidade das lojas antes de partilhar dados pessoais ou efetuar pagamentos.
Ao procurar um telemóvel, roupa ou um eletrodoméstico com a ajuda de um assistente de IA, o consumidor pode receber uma lista de produtos, preços e lojas onde os adquirir. Contudo, quando a ferramenta consulta a Internet, também pode encontrar páginas fraudulentas que imitam comerciantes legítimos e apresentar essas ligações numa resposta aparentemente credível.
O risco não se limita às ligações sugeridas. Existem diferentes formas de influenciar os resultados ou as ações de um assistente ou agente de IA: através da manipulação dos resultados de pesquisa (SEO poisoning), que pode fazer surgir ligações maliciosas entre os resultados apresentados; da utilização de agentes de IA com capacidade de navegação (browser agents), que podem abrir páginas, clicar em ligações e executar tarefas em nome do utilizador; e da inclusão de instruções maliciosas escondidas em páginas, emails ou documentos (prompt injection), que podem tentar levar estes agentes a realizar ações que o utilizador não pediu, como aceder a ligações fraudulentas ou descarregar ficheiros. Testes e investigações independentes já demonstraram que estes cenários são possíveis, embora não existam evidências de que representem uma campanha generalizada nas compras online em Portugal. *
«A inteligência artificial pode facilitar a comparação de produtos e preços, mas uma recomendação não é uma garantia de que a loja seja legítima. O consumidor deve continuar a confirmar quem está a vender e onde vai efetuar o pagamento, mesmo quando a sugestão é apresentada por um assistente em que confia», afirma Ricardo Neves, Responsável de Comunicação da ESET Portugal.
Quando a IA deixa de recomendar e começa a comprar
Os riscos podem aumentar quando o consumidor utiliza agentes de IA capazes de navegar em sites e executar tarefas em seu nome. O Relatório de Ameaças do 1.º Semestre de 2026 identifica, por exemplo, uma funcionalidade denominada Credit Claw, que permite a agentes de IA realizar compras em plataformas de comércio eletrónico.
Segundo os investigadores da empresa europeia, uma atualização ou dependência maliciosa poderia modificar o comportamento de um agente com acesso a meios de pagamento e desviar bens ou serviços adquiridos. Trata-se de um risco potencial identificado pela investigação, e não de um caso de fraude confirmado.
Seis cuidados para fazer compras com ajuda da I
Para quem pretende utilizar ferramentas de inteligência artificial durante a Black Friday, a ESET recomenda:
1. Utilizar a IA para comparar produtos, não para decidir automaticamente onde comprar. Os assistentes podem ajudar a identificar modelos, características e preços. Contudo, as lojas apresentadas devem ser verificadas independentemente, sobretudo quando o vendedor é desconhecido.
2. Aceder à loja através dos canais oficiais. Em vez de seguir diretamente a ligação apresentada pelo assistente, procurar o endereço oficial da marca ou utilizar a sua aplicação. É importante confirmar o domínio e estar atento a pequenas alterações na escrita dos endereços que possam indicar uma página fraudulenta.
3. Confirmar as promoções fora da conversa com a IA. Os preços e a disponibilidade dos produtos devem ser consultados diretamente nas lojas. Também é importante verificar a identificação do vendedor, os contactos, os custos de envio e as condições de devolução antes de realizar a compra.
4. Não fornecer dados bancários ou credenciais ao assistente. Palavras-passe, códigos de autenticação e informações de cartões não devem ser introduzidos numa conversa com IA para obter recomendações. Os dados de pagamento devem ser fornecidos apenas através de canais de compra cuja legitimidade tenha sido confirmada.
5. Manter o controlo sobre as ações dos agentes de IA. Caso se utilize um agente capaz de navegar e efetuar compras, devem ser limitadas as permissões concedidas. É aconselhável exigir confirmação antes de qualquer pagamento, verificando o vendedor, o produto, a morada de entrega e o montante final.
6. Recorrer a tecnologias de cibersegurança. Utilizar soluções atualizadas que disponibilizem proteção contra phishing e navegação segura. Algumas ferramentas permitem também analisar as ligações incluídas nas respostas dos assistentes de IA e sinalizar conteúdos potencialmente perigosos antes de o consumidor lhes aceder.
A ESET sublinha que a inteligência artificial pode ser útil nas compras online, desde que as recomendações sejam verificadas e as transações permaneçam sob controlo do consumidor.
