Sábado de manhã. Estão cerca de cinco graus em Dusseldorf. Doze valentes fregueses de Sabariz debruçam-se sobre as bancas para descascar os legumes que servirão de base aos 10 caldos que amanhã, durante cinco horas, irão deliciar, maioritariamente, os alemães. Os potes são acesos para cozer as carnes. O mais pequeno leva 50 litros. O maior 150.
O espaço aumentou para esta décima segunda edição onde estão previstos mais de mil participantes. A iniciativa chegou a Dusseldrof, há doze anos, pela mão de um sabarizense, José Esteves, e de mais dois sócios, Felipe Castela e Armando Cortes, um do centro e outro do sul do país.
José Esteves está há 35 anos na Alemanha, “a ideia era vir por dois anos”, e depois de ter participado nas duas primeiras edições do ‘Caldo do Pote’ na sua terra Natal, criou a ‘Suppen Festival’, dois anos depois, onde 10 caldos representam uma das iniciativas mais emblemáticas da ‘Na Rota das Colheitas’.

O sucesso da iniciativa foi gradual e a expetativa é superar os mil participantes da edição passada. “A logística disto é muito grande, envolve 50 pessoas”. Os alemães “aderiram bem à Festa das Sopas e todos os anos estão à espera que chegue este dia. Uma das condições é que tem que estar frio porque os alemães comem sopas com frio e nós associamos o vinho quente que é uma tradição alemã”.
A confeção dos caldos é feita por gente que vem de Sabariz, algumas há doze anos. “Há uma exceção que é a sopa de peixe, criada por uma dos nossos sócios, que já faleceu, e que quisemos manter. Essa é confeccionado por um senhor cá da Alemanha”.
Segundo José Esteves, a maioria dos participantes são alemães, cerca de 70%, e “há quem venha da Holanda, da Bélgica e da Suíça. Há já quem marque este dia nas agendas e quem faça 500 quilómetros na Alemanha para vir aqui”. Os pais trazem crianças que “se sentam no chão, mesmo com frio, e isso dá-nos orgulho. É lindo, é bonito. Porque isso cada vez se vê menos”.
Expetativas elevadas
“A nossa capacidade é limitada. E este ano, vamos ter pessoas a entrar e a sair para darmos possibilidade de mais pessoas puderem saborear os nossos caldos”. O espaço também aumentou, “mas não podemos ir mais além disto”. José Esteves elogia os conterrâneos: “Temos aí uma equipa de guerra, de trabalhadores que fazem isto voluntariamente. E eu só tenho que lhes agradecer, porque sem eles não consigo. A logística é muito grande e aqui não existe pessoal para fazer isto”.
Presidente da Junta
Atento ao desenrolar de todos os preparativos está o presidente da junta de Sabariz. Mário Fernandes explica que “em termos de logística, começamos a preparar tudo hoje: a cortar batatas, descascar cenouras, a cozer as carnes, para que amanhã possa ser tudo mais fácil de confecionar”.
Os dez potes viajaram há uma semana desde Vila Verde, numa carrinha conduzida por um dos sócios de José Esteves. “São os potes mais internacionais de Portugal”, refere, a talhe de foice, José Esteves que está há mais de uma semana a trabalhar na ‘Suppen Festival’.

No ano passado foram confecionados 1500 litros caldo. “Aqui é um pouco diferente do que em Sabariz”, explica Mário Fernandes. “Aqui vai-se fazendo. Em Sabariz, é tudo mais ‘abrupto’, é tudo mais rápido. Este evento dura cinco horas, entre as 12h00 e as 17h00, o ritmo é mais pousado, mas sempre contínuo. Permite que os caldos possam ir sendo repostos”.
Sobre a importância do evento para Sabariz, o autarca não tem dúvidas em reconhecer que as “pessoas reconhecem o nome de Sabariz e para a afirmação internacional da freguesia, do concelho e da Rota das Colheitas é muito importante. A freguesia está muito grata ao José Esteves porque este Festival dá outra dimensão ao Caldo do Pote. É sem dúvida, uma mais valia para as duas partes”.
Uma das particularidades deste evento na Alemanha é a sua autenticidade: “se os alemães não reconhecessem isto como uma tradição de qualidade, não aderiram. Se está a crescer todos os anos, é porque reconhecem a qualidade e isso faz também com que passem a palavra”, remata José Esteves.
