Meia hora antes da abertura oficial, a fila para adquirir as entradas para o ‘Suppen Festival’ já é extensa. Os últimos preparativos estão a ser finalizados. Os potes, que os 12 bravos de Sabariz preparam desde a manhã, começam a ser retirados das brasas.
Dez caldos para todos os gostos estão prontos. As mesas começam a ser ocupadas e espera-se para que se dê o ‘tiro de partida’. De uma forma germânica (ordeira e sem pressa), os primeiros caldos enchem as malgas de barro inscritas com ‘Caldo do Pote’.
Filipe Castelo é um dos sócios de José Esteves e um dos rostos desta organização. “O nosso objetivo é mostrar aos alemães um pouco da nossa tradição, o nosso Portugal, a nossa cultura, a nossa maneira de viver e de comer. É também uma forma de matarmos as saudades que trazemos connosco. Temos orgulho neste festival porque é uma grande satisfação trazer a cultura portuguesa aqui para a Alemanha”.

O português elogia a adesão dos alemães que “gostam desta nossa cultura, aceitam-na com carinho. As tradições estão a desaparecer e tudo o que cheire a tradição, os alemães aderem”.
O ‘Suppen Festival” tem tido um procura crescente quer de portugueses emigrados quer de alemães “o que é o mais interessante no meio disto tudo. Acho que este ano vamos bater todos os recordes porque tivemos um crescente de chamadas e de pessoas a perguntarem pelo festival. No fundo, é isto que nos dá orgulho e energia para continuarmos a fazer isto”.
Filipe Castelo reconhece a que “logística não é fácil. Temos que ir buscar os potes a Portugal e temos o apoio fantástico das gentes de Vila Verde e de Sabariz que ajudam na confeção dos caldos”.

Presidente da câmara
A presidente da câmara, Júlia Fernandes, juntamente com os vereadores Michele Alves e Carlos Tiago Alves, marca presença, como habitualmente, na iniciativa. A autarca reconhece que o ‘Caldo do Pote’, na Alemanha, tem tido uma procura crescente da parte, quer de portugueses emigrados quer de alemães”.
A iniciativa mais internacional da ‘Na Rota das Colheitas’ replica, numa dimensão mais pequena, o ‘Caldo do Pote’ em Sabariz, onde milhares de pessoas saboreiam 28 caldos. Foi o vilaverdense José Esteves e o seu sócio Filipe Castelo que trouxeram a iniciativa para Dusseldorf. “Foi a força de vontade destes três sócios, com a colaboração da Junta de Freguesia de Sabariz, que permitiram que a iniciativa chegasse até à Alemanha”, reproduzindo fielmente o que se passa em Vila Verde.

“Aqui, o festival atrai não só os portugueses de Düsseldorf, como aqueles que vivem aqui nas cidades vizinhas e que estão também ansiosos à espera do evento para matar um bocadinho as saudades da terra”. A autarca reconhece, no entanto, que “são cada vez mais os alemães que vêm até este evento porque apreciam, de facto, a nossa gastronomia e estas sopas. É um pedacinho de Vila Verde, um pedacinho do nosso Minho, que está aqui presente”.
A verdade é que, para além dos caldos, há pataniscas, doces e até música tradicional com um rancho folclórico. “É um orgulho muito grande porque é a forma de promovermos não só Vila Verde, como Portugal. Sabemos que é um grupo de pessoas extremamente simpáticas, extremamente trabalhadoras que fazem realmente um excelente trabalho. É uma imagem muito positiva que nós deixamos do nosso país, da nossa região, do nosso Minho e da nossa terra, do nosso concelho aqui na Alemanha, junto dos alemães, mas também junto de todos estes imigrantes”.

E é, outra vez, com a palavra orgulho na boca que Júlia Fernandes acrescenta que “este é uma forma de matar um bocadinho a saudade da terra, com este sabor, que é o sabor do antigamente, das nossas avós que cozinhavam nos potes estas sopas maravilhosas. E, portanto, é um grande orgulho perceber que esta ação, é uma ação internacional com um grande impacto aqui nas comunidades e também, por força do excelente trabalho que a comunicação social faz, com um grande impacto que tem também no país, perceber que um evento da Rota das Colheitas se internacionaliza e causa impacto também nestas comunidades”.
Um dos frutos desta parceria é a confecção de um caldo de peixe saído das mãos de um alemão que este ano foi a Sabariz apresentar a sua criação. “Eles adoram este sabor, este sabor maravilhoso que nós também colocamos naquilo que fazemos. E com estes caldos feitos à moda antiga, em pote, no lume, com todos estes ingredientes que vieram de Portugal, que têm o sabor de Portugal, não é difícil conquistar os alemães”.
