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Museu de pensamento e arte contemporânea inaugura em abril de 2026 em Braga

Com inauguração prevista para abril de 2026, o MUZEU – Pensamento e Arte Contemporânea dst será um novo museu dedicado à arte contemporânea, filosofia e ao debate público, em Braga. Fundado pelo dstgroup, empresa com presença relevante em vários setores de atividade, com destaque para a construção civil, obras públicas, energia ou telecomunicações, o MUZEU tem como objetivo estudar e valorizar a coleção de arte contemporânea da instituição, procurando promover o gosto pela arte e cultura de forma mais abrangente e, dessa forma, influenciar positivamente os decisores para a promoção de uma vida mais justa e feliz para todos.

Criada ao longo das últimas quatro décadas pelo presidente do dstgroup, José Teixeira, sendo, hoje, uma das mais significativas coleções privadas de arte contemporânea em Portugal, a coleção possui mais de 1.500 obras de 240 artistas nacionais e internacionais. Destaque para nomes como Pablo Picasso, Anselm Kiefer, Nan Goldin, Richard Long, Candida Höfer, André Butzer, Sue Webster &Tim Noble, Caio Reisewitz, Jason Martin, Paula Rego, Helena Almeida, Pedro Cabrita Reis ou Julião Sarmento, entre muitos outros, artistas e obras com forte dimensão poética, filosófica e política, abordando questões como memória, poder, identidade, trabalho, resistência e Liberdade.

O MUZEU irá funcionar como um fórum aberto para a filosofia e para a arte, com um programa que reúne uma ampla variedade de intervenientes, através de exposições, palestras, performances e música, reforçando o papel do museu como espaço de intervenção e promoção cívica e política. Além disso, o MUZEU será um local de reflexão e inspiração para os 3000 funcionários do dstgroup, oferecendo aos trabalhadores a oportunidade de se requalificarem e melhorarem as suas competências através de formação em funções relacionadas com a área de museologia, tais como guias de exposições, conservação e gestão de coleções, ou mesmo programas e eventos específicos para funcionários.

O MUZEU será inaugurado com o programa “Abrir Abril”, o primeiro ciclo de programação, que decorrerá de 23 de abril a 31 de outubro de 2026. Abrir Abril assinala o aniversário da Revolução dos Cravos e reflete sobre a revolução como um momento de rutura e transformação coletiva. Baseando-se no pensamento do historiador Reinhart Koselleck, Abrir Abril aborda a revolução não apenas como uma sequência de eventos políticos, mas como uma experiência do tempo histórico em que as relações sociais e os imaginários futuros são rapidamente reconfigurados. Mais de cinquenta anos depois, num momento de tensões sociais, políticas e ambientais, Abrir Abril revisita os valores comunitários associados à revolução: democracia, liberdade, participação cívica e defesa intransigente dos direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa e na Declaração Universal dos Direitos Humanos.

No centro do programa de abertura estará a exposição inaugural “Sejamos realistas, exijamos o impossível”, de 23 de abril de 2026 a 23 de outubro de 2027. Ao longo de quatro pisos expositivos com aproximadamente 3.000 m², apresenta mais de 100 obras de 96 artistas, 40 portugueses e 56 internacionais, provenientes da Coleção de Arte Contemporânea do dstgroup. O título da exposição faz referência ao slogan associado ao filósofo germano-americano Herbert Marcuse e aos protestos estudantis parisienses de 1968. A expressão sintetiza a rejeição da ideia de que os sistemas sociais, políticos e económicos existentes representam a única realidade possível, afirmando, pelo contrário, a legitimidade da imaginação, da dissidência e da transformação.Além dos já referidos, entre os artistas presentes na exposição inaugural encontram-se, ainda, Alex Katz, Ana Vidigal, Ângela Ferreira, Annie Leibovitz, Artur Lescher, Axel Hütte, Délio Jasse, Eduardo Batarda, Fernão Cruz, Francesco Clemente, Franz West, Gary Webb, Isabel Muñoz, Jean-Baptiste Huynh, João Penalva, José Bechara, José Pedro Croft, Julian Opie, Manuel Rosa, Muntean & Rosenblum, Nan Goldin, Pedro Calapez, Peter Zimmermann, Rui Sanches, Susy Gómez, entre muitos outros. É dado particular destaque à obra do artista brasileiro Miguel Rio Branco e do artista português Rui Chafes, cujas práticas intensificam a tensão entre a transgressão e a contenção poética. Com curadoria de Helena Mendes Pereira, Diretora, Curadora e Programadora Artística do MUZEU, Sejamos realistas, exijamos o impossível articula uma visão curatorial ancorada na capacidade de transformação social, política e poética da arte contemporânea.

O MUZEU acolherá, também, um espaço permanente para as obras do artista Anselm Kiefer, uma das figuras mais importantes da arte contemporânea e presença fundamental na coleção de José Teixeira. O trabalho de Kiefer, que abrange pintura, escultura, montagem e fotografia, confronta a história e a responsabilidade ética, abordando o passado da Alemanha e a persistência de suas consequências no presente. Através de obras com forte carga material que incorporam chumbo, cinzas, palha, terra e cimento, Kiefer transforma a arte num espaço de confronto, resistindo à banalização do mal e ao apagamento da memória.

Reabilitação pensada por Carvalho Araújo
O MUZEU encontra-se instalado no antigo Tribunal Judicial de Braga, no centro histórico de Braga. Projetado pelo arquiteto bracarense José Carvalho Araújo, com longa ligação ao dstgroup, o edifício foi transformado num museu de cinco andares, composto por quatro pisos de exposição e um auditório. O projeto integra ainda elementos arqueológicos com ligações ao perfil industrial do dstgoup, que coabitam com elementos históricos de Braga, nomeadamente, a mais antiga secção da muralha da cidade que começou a ser construída no século XIV e um poço do mesmo período. De frente para a Praça do Município, a fachada apresenta uma intervenção escultórica permanente do artista português José Pedro Croft, estabelecendo uma forte ligação conceptual entre o edifício, a coleção de arte contemporânea e a cidade.

Inauguração com dança, música e performance
A entrada no MUZEU será gratuita para o público durante toda a semana de inauguração, a começar dia 25 e até 30 de abril de 2026, com vários motivos de interesse, como é exemplo a revelação de uma nova obra site-specific na fachada do museu, da autoria de José Pedro Croft, um dos artistas visuais portugueses com maior reconhecimento internacional. O dia da inauguração continua com uma visita guiada coreografada à exposição, desenvolvida em colaboração com a Companhia Nacional de Bailado, oferecendo uma abordagem performativa do contacto com a obra de arte contemporânea.

O dia terminará com a estreia de “O Círculo das Contas de Filigrana Dourada: Ligações Históricas entre a Bahia e Viana do Castelo”, uma performance de Rita GT, criada em colaboração com os conjuntos vocais Cantadeiras Ohùn Obìnrin e Cantadeiras do Vale do Neiva, reunindo as tradições vocais afro-brasileiras e do norte de Portugal, num diálogo transatlântico que destaca histórias partilhadas, património oral e memória coletiva.

Antes, no dia 24 de abril, o museu abre com acesso exclusivo para os funcionários do dstgroup, com uma intervenção de rua em grande escala intitulada “A Poesia está na Rua”. Desenvolvida em colaboração com a Oficina Arara, um coletivo artístico sediado em Porto, conhecido pelo seu trabalho participativo e socialmente empenhado no espaço público, e com o Doutor Urânio, um artista performativo cuja prática combina sátira, cultura popular e ritual cívico através de ações itinerantes e estruturas esculturais de desfile, a intervenção transforma o espaço entre a Praça do Município e a Praça Conde Agrolongo numa ação poética coletiva, que marca a abertura ao público do MUZEU.

Paralelamente ao programa expositivo, o MUZEU apresenta uma programação contínua de conferências, performances, concertos de jazz, sessões de escuta, oficinas de filosofia para crianças e visitas guiadas durante a semana inaugural, integradas no programa mais extenso que marcará os primeiros meses do novo museu de Braga. Com horários pensados para privilegiar públicos de trabalhadores, famílias e comunidades locais, destaque também para o facto de estudantes, professores, artistas, profissionais da cultura e colaboradores do dstgroup terem acesso gratuito todos os dias e, ainda, para o “Vêm à Quinta-feira”, com horário alargado e entrada gratuita durante todo o dia para o público em geral.

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