Na segunda-feira a seguir à Páscoa, cumpre-se uma das tradições mais emblemáticas do concelho de Amares. Na freguesia de Fiscal, o compasso pascal volta a atravessar o Rio Homem, numa celebração que alia fé, identidade local e ligação ao território.
Ao longo de cerca de 500 metros, cinco barcas percorrem o rio transportando o compasso, a banda e convidados, com várias paragens pelo caminho. Nas margens, centenas de pessoas acompanham o percurso, num ambiente de celebração que se repete ano após ano.
A tradição tem raízes antigas e terá surgido como uma adaptação às características geográficas da região, marcada pela presença do rio que separa comunidades.
Atualmente, continua a ser um momento central das celebrações pascais, mantendo regras e rituais que passam de geração em geração.
Para muitos dos participantes, o envolvimento nesta tradição é também uma responsabilidade. É o caso de João, que há três décadas participa no compasso e não esconde a emoção de integrar este momento único.
“Para mim é uma das festas mais bonitas. Daqui a bocado vou com o barco por aí a baixo e as lágrimas vão cair-me”, conta João.
A preparação começa dias antes. De acordo com Duarte Ribeiro, presidente da junta de freguesia de Fiscal, as embarcações, que passam grande parte do ano submersas, são retiradas cerca de quinze dias antes do evento para garantir que estão em condições de segurança para o transporte de todos os intervenientes.
Mais do que uma recriação simbólica, o compasso pascal em Amares é uma expressão viva da cultura local, onde a fé se cruza com a tradição e a paisagem, mantendo-se como um dos rituais mais singulares da região.
“A Páscoa é anunciar Cristo ressuscitado. Não interessam os meios, mas sim o anúncio, mesmo que tenha de ser de barco”, afirma o padre.
