O Bloco de Esquerda questionou o Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, sobre as centenas de trabalhadores colocados em regime de lay-off na empresa Coindu.
A empresa Coindu S.A. foi fundada em 1988, com sede em Vila Nova de Famalicão, e dedica-se à produção de capas para assentos de automóveis de marcas de automóveis como Lamborghini, Audi, BMW, Porsche, Ford, Mini, Suzuki, entre outras.
A empresa anunciou recentemente a implementação de um regime de lay-off, entre maio e novembro de 2026, medida que poderá abranger até 493 trabalhadores, num universo de 752 trabalhadores.
A administração da empresa justifica esta decisão com a quebra de encomendas no setor automóvel e com o impacto da conjuntura internacional, nomeadamente as tensões comerciais e os conflitos geopolíticos em curso.
Para o Bloco de Esquerda, “contudo, importa recordar que:
a) Em novembro de 2024, a empresa encerrou a unidade de produção em Arcos de Valdevez e despediu 350 trabalhadores;
b) Em maio de 2025, despediu 123 trabalhadores e aplicou o regime de lay-off a mais 237. O Bloco de Esquerda questionou o Governo sobre esta matéria, mas não obteve qualquer resposta;
c) Em outubro de 2025, foi tornado público que a empresa pretendia avançar com um novo despedimento coletivo, o terceiro em menos de um ano”.
Agora, surge o anúncio da aplicação de um novo período de lay-off relativo a uma empresa que tem um longo histórico de medidas tendentes a uma destruição continuada de emprego naquela região e à degradação das condições laborais de quem ali exerce funções. A Administração refere que: “Para responder ao excesso temporário de pessoal e à pressão financeira, a empresa vai implementar um lay-off de seis meses, de maio a novembro de 2026. No total, estima-se que as várias fases deste processo venham a abranger 493 colaboradores de diferentes áreas de atividade da empresa ao longo de 2026.”.
O recurso ao lay-off, embora previsto legalmente para situações excecionais, “não pode transformar-se num mecanismo de transferência dos custos da crise para os trabalhadores e para a Segurança Social, enquanto as empresas evitam assumir responsabilidades na salvaguarda do emprego, dos salários e da estabilidade laboral”.
“Estes atos de gestão têm como resultado imediato a redução dos direitos dos trabalhadores e têm sido um comportamento padrão na empresa, com consequências diretas na vida de centenas de trabalhadores”.
Segundo o BE, “os trabalhadores da Coindu têm vindo a enfrentar uma situação insustentável fruto de uma gestão que não foi capaz de cumprir os compromissos assumidos, apesar de os trabalhadores nunca terem faltado às suas obrigações. Falamos de trabalhadores que, nalguns casos, desempenhavam funções na empresa há décadas, e que ficaram, de um momento para o outro, sem o seu salário, que é, na grande maioria das situações, a única forma de subsistência destas pessoas e das respetivas famílias”.
Por isso, “consideramos que o Governo tem responsabilidade direta nesta matéria e importa obter resposta quanto às medidas que estão a ser implementadas para salvaguardar os postos de trabalho destes trabalhadores, uma vez que a reforma da legislação laboral apresentada pelo Governo pretende implementar medidas, em temas como o despedimento, das quais não sai reforçada a posição do trabalhador”.
No documento entregue na Assembleia da República, o Bloco de Esquerda, pretende saber que acompanhamento está a ser feito pelo Ministério relativamente ao processo de lay-off anunciado pela Coindu, que garantias existem de que os direitos laborais, salariais e sociais dos trabalhadores abrangidos serão integralmente salvaguardados durante este período e se o Governo tem conhecimento de eventuais intenções futuras de despedimento coletivo ou encerramento parcial de setores da empresa após o término do lay-off.
