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Deputados socialistas eleitos por Braga questionaram Ministra da Saúde sobre Hospital de Barcelos e ULS de Braga

Os deputados socialistas Hernâni Loureiro e Irene Costa questionaram a Ministra da Saúde sobre a construção do novo Hospital de Barcelos e sobre a situação que se vive na Unidade Local de Saúde de Braga, realidades que põem em causa a prestação de cuidados de saúde no distrito e que têm gerado um clima de insatisfação entre profissionais e utentes.

Durante a audição regimental que teve lugar na passada semana, na Assembleia da República, os deputados eleitos pelo Círculo de Braga lembraram que Barcelos e Esposende esperam há mais de duas décadas por um novo hospital, com mais de 150 mil pessoas a continuarem a ser servidas por uma unidade desadequada às suas necessidades, que funciona graças ao esforço heroico dos profissionais que lá trabalham diariamente.

“São duas décadas de promessas, de protocolos assinados e esquecidos, de concursos lançados e anulados”, sublinhou Hernâni Loureiro, para quem a situação configura uma falha do Estado.

“Em junho de 2025, com muita pompa e nenhuma consequência prática, o Governo deu conhecimento de um concurso para o projeto de novo hospital. Em setembro desse mesmo ano, cancelou o concurso. Em janeiro deste ano, a Sra. Ministra deslocou-se a Barcelos e afirmou – e cito – que o ano de 2026 é verdadeiramente determinante para que o Hospital de Barcelos inicie o seu trajeto no sentido de ser uma realidade nos próximos anos”, descreveu o deputado, lembrando que 2026 é, afinal, mais um ano de incerteza.

A obra que deveria ter arrancado este ano não tem financiamento inscrito no Orçamento do Estado e o processo continua sem rumo definido, pelo que Hernâni Loureiro exigiu respostas concretas quanto ao estado real do procedimento para a contratação do novo projeto do Hospital de Barcelos.

“Existe um novo concurso ou aguardamos pela resolução definitiva do procedimento anterior? Qual é o modelo de gestão previsto para esta unidade? Será totalmente pública, integrada no SNS ou o Governo pondera alguma forma de parceria com entidades privadas? Existe uma data assumida pelo Governo para o início da obra? Não uma previsão, não uma intenção, uma data, um compromisso formal com financiamento inscrito e procedimento ativo?”, perguntou o deputado.

Já Irene Costa questionou a Ministra da Saúde sobre a situação que se vive na Unidade Local de Saúde (ULS) de Braga, que tem gerado trocas de acusações entre a Comissão de Trabalhadores, os médicos, a Comissão de Utentes e o Conselho de Administração.

Durante a audição regimental, a deputada eleita pelo Círculo de Braga descreveu o clima de insatisfação em torno daquela unidade, com públicas reclamações sobre atrasos em consultas, exames e cirurgias, notícias de doentes oncológicos com dificuldades no acesso a medicamentos e relatos de equipamentos avariados durante meses.

“A Comissão de Trabalhadores tem alertado para problemas estruturais na instituição, os médicos escreveram uma carta aberta a denunciar o funcionamento da ULS, a Comissão de Utentes pediu a demissão do Conselho de Administração e o Conselho de Administração avançou com uma queixa contra a Comissão de Utentes”, relatou Irene Costa à equipa do Ministério da Saúde.

Para a deputada, este clima de desconfiança entre administração, profissionais e utentes não é mais do que o resultado de uma política que desvalorizou o modelo das ULS e que enfraqueceu as lideranças e o trabalho dos seus profissionais.

“Como poderia ser diferente se a Sra. Ministra primeiro atirou às lideranças fracas, depois desvalorizou o modelo das ULS e tudo fez para destruir a direção executiva do SNS”, sublinhou Irene Costa, exigindo ao Governo uma resposta concreta que garanta o bom funcionamento da ULS de Braga e que sirva as populações por ela abrangidas.

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