O dstgroup vai promover, pelo oitavo ano consecutivo, o curso de Filosofia destinado aos seus trabalhadores, dando continuidade a um projeto desenvolvido em parceria com a Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Católica Portuguesa (UCP), em Braga, que leva o pensamento filosófico para dentro da empresa e traduz uma visão de formação que ultrapassa as competências estritamente técnicas.
Com mais de 700 trabalhadores abrangidos neste segundo ano do 4.º Ciclo de Estudos, a iniciativa pretende estimular o pensamento crítico, a capacidade de questionamento e a liberdade individual, colocando o conhecimento e o desenvolvimento humano e a procura de uma vida boa no centro da cultura organizacional do grupo.
O programa percorre áreas como lógica, estética, filosofia da religião, pensamento contemporâneo, antropologia, metafísica, política, economia e arte, proporcionando aos trabalhadores diferentes ferramentas para interpretar o mundo, compreender a sociedade e desenvolver uma visão mais crítica e plural sobre os desafios contemporâneos.
“Para este ano escolhemos autores e obras de grande complexidade e de grande oportunidade: História do Futuro de António Vieira; A Riqueza das Nações e a Teoria dos Sentimentos Morais de Adam Smith; O Si-Mesmo Como Outro e a obra Filosofia, Ética e Política de Paul Ricoeur; a Crítica da Razão Pura, a Crítica da Razão Prática e a Crítica da Faculdade do Juízo de Kant. Escolhemos, ainda, uma autora muito especial, uma filósofa mística que escreveu sobre o trabalho e sobre a fé. Vamos estudar O Enraizamento e A Gravidade e A Graça de Simone Weil. As escolhas não são inocentes e giram sempre em torno de uma ideia de sabedoria prática, a phrónesis, de uma ética dos mínimos, do dever em si, da consciência que devemos ter da lei moral – do “fato razão”, da espiritualidade, de uma moralidade objetiva, da equidade como medida corretiva e da liberdade”, explica José Teixeira, presidente do Conselho de Administração do dstgroup.
Este investimento parte de uma conceção mais ampla da formação nas empresas. Para o dstgroup, qualificar trabalhadores não significa apenas desenvolver competências técnicas diretamente relacionadas com a atividade profissional, mas investir na formação integral das pessoas, estimulando a curiosidade, a autonomia intelectual, a sensibilidade e a capacidade de pensar e decidir de forma livre e consciente.
Desenvolvido desde 2020 em parceria com a Universidade Católica Portuguesa, o projeto tem registado uma adesão crescente entre os trabalhadores. Na última edição participaram cerca de 500 pessoas, mais 50% do que no ciclo anterior, uma evolução que demonstra o interesse interno por uma formação que introduz no quotidiano empresarial matérias tradicionalmente afastadas dos programas de qualificação profissional.
Para Aníbal Cardona, Técnico Superior de Segurança e Saúde no Trabalho no dstgroup, a experiência nesta formação não podia ser mais enriquecedora: “quando se trabalha sobre o concreto, tendemos a procurar certezas. Esta “imersão” na Filosofia, nos seus pensadores, correntes e controvérsias, desafia-nos a questionar as nossas convicções mais profundas, a tomar consciência da infinitude da reflexão e do facto de raramente ser possível alcançar consensos absolutos. O confronto com os nossos próprios vieses, mais do que desconforto cognitivo, corporiza em nós próprios, uma empatia expandida, capaz de nos fazer compreender e aceitar, perspetivas e mundividências radicalmente diferentes das nossas”.
A coordenação científica está a cargo do Professor Carlos Morais, contando ainda com o envolvimento do Professor Bruno Nobre, diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP.
“A reflexão sobre as grandes controvérsias filosóficas da história do pensamento torna-se um autêntico laboratório de pensamento sobre o que significa ser humano. Não tenho dúvidas de que esta experiência estimula a criatividade e o espírito crítico dos trabalhadores. Tenho a certeza de que contribui para formar melhores cidadãos, num momento da história em que a capacidade de pensar é absolutamente necessária”, destaca Bruno Nobre, diretor da Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais da UCP.
A Filosofia integra uma estratégia de formação mais abrangente que o dstgroup tem vindo a desenvolver para os seus trabalhadores. Neurociência, primeiros socorros na doença mental, arte, teatro e culinária criativa são algumas das áreas que têm integrado uma oferta que cruza conhecimento científico, cultura, criatividade e desenvolvimento pessoal.
Estas iniciativas encontram na escola dst uma estrutura de aprendizagem contínua que complementa a formação técnica e profissional promovida pelo grupo. O objetivo é desenvolver trabalhadores mais qualificados para o exercício das suas funções, mas também pessoas com mais capacidade crítica, cultural e humana, entendendo o conhecimento como uma ferramenta de desenvolvimento individual e coletivo.
Num contexto empresarial cada vez mais marcado pela tecnologia, automação e transformação acelerada das profissões, o dstgroup mantém, assim, uma aposta diferenciadora naquilo que permanece essencialmente humano: a capacidade de pensar, questionar, interpretar, criar e tomar decisões. Uma política de formação que coloca o desenvolvimento das pessoas no centro da competitividade e do futuro da organização.
