A competição pelos imóveis disponíveis é particularmente elevada no mercado de arrendamento. Uma análise do Imovirtual aos primeiros meses de 2026 mostra que os anúncios de imóveis para arrendar geram, em média, quase 6 vezes mais contactos por anúncio do que os imóveis para venda, revelando uma intensidade de contacto significativamente superior neste segmento.
Quando se analisam os diferentes tipos de imóvel, são os apartamentos para arrendamento que apresentam a maior intensidade de contacto entre todos os segmentos analisados. No extremo oposto encontram-se os terrenos, onde a passagem da pesquisa ao contacto é substancialmente menos frequente. Os dados mostram, assim, comportamentos muito distintos não apenas entre venda e arrendamento, mas também consoante o tipo de imóvel procurado.
“Estes dados permitem-nos olhar para a procura numa fase diferente daquela que normalmente analisamos. Uma pesquisa demonstra interesse num determinado mercado, mas o contacto com o anunciante representa um passo adicional na intenção do utilizador. E aquilo que observamos é uma diferença muito clara entre venda e arrendamento: quem procura um imóvel para arrendar tende a avançar para o contacto com muito maior frequência, mostrando uma maior competição pelos imóveis disponíveis neste segmento”, afirma Sylvia Bozzo, Marketing Manager do Imovirtual.
A análise por concelho revela também que esta competição está longe de ser uniforme. É na periferia de Lisboa que surgem alguns dos mercados com maior intensidade de contacto por anúncio. Na Amadora, este indicador é cerca de 4 vezes superior ao registado em Lisboa, enquanto em Odivelas é mais de 3 vezes superior. Em Sintra, a intensidade de contacto supera em mais do dobro a observada na capital.
Outros concelhos da Área Metropolitana de Lisboa, como Barreiro, Loures, Vila Franca de Xira e Seixal, apresentam também níveis elevados de intensidade de contacto, reforçando a pressão da procura sobre os imóveis disponíveis fora do centro da capital.
O contraste com Lisboa é particularmente relevante. Apesar de ser um dos maiores mercados imobiliários do país em volume de procura e oferta, a intensidade de contacto por anúncio é significativamente inferior à observada em vários concelhos da sua periferia. Os dados mostram, assim, que a dimensão de um mercado não corresponde necessariamente a uma maior competição por cada imóvel disponível.
Fora da Área Metropolitana de Lisboa existem também diferenças relevantes. Leiria apresenta uma intensidade de contacto superior à registada em Braga e Coimbra, enquanto o Porto apresenta níveis inferiores aos destes três mercados. Esta dispersão reforça a existência de diferentes graus de pressão sobre a oferta consoante a localização.
“Quando analisamos quantos utilizadores avançam efetivamente para o contacto relativamente à oferta disponível, encontramos uma geografia diferente daquela que resulta apenas do volume de pesquisas. A periferia de Lisboa é particularmente evidente: mercados como Amadora, Odivelas ou Sintra apresentam uma intensidade de contacto muito superior à da capital. Isto sugere que a pressão sobre a oferta disponível se estende para territórios onde vários utilizadores acabam por competir pelos mesmos imóveis”, acrescenta Sylvia Bozzo.
A evolução ao longo dos primeiros meses de 2026 mostra ainda que a intensidade de contacto foi mais elevada no início do ano e diminuiu gradualmente nos meses seguintes. Ainda assim, o arrendamento manteve durante todo o período analisado uma intensidade de contacto superior à venda, mostrando que a diferença entre os dois mercados não resulta apenas de um momento específico.
Os dados do Imovirtual revelam, assim, que a competição pelos imóveis disponíveis não depende apenas do volume de procura, mas também da frequência com que essa procura se transforma numa intenção concreta de contacto. No arrendamento, cada anúncio gera quase 6 vezes mais contactos do que na venda e, a nível territorial, alguns concelhos da periferia de Lisboa apresentam uma intensidade de contacto várias vezes superior à da própria capital.
