As primeiras semanas de julho em Guimarães proporcionam diversas oportunidades aos mais novos para explorações de novos saberes e gostos artísticos, com oficinas de poesia, de criação de figuras articuladas, de olaria, de artes performativas, de teatro e de técnicas de impressão e estamparia em tecido.
Como bem sabemos, as férias servem para não se fazer nada, mas também servem para fazer tudo. Nas férias o tempo é maior do que o tempo que nos acompanha à escola e nos leva de volta a casa na azáfama do dia a dia.
Nas férias podemos ter tempo para fazermos coisas de que gostamos, mas também para descobrir outras que nem sabíamos que iriamos gostar. E A Oficina suscita e potencia a descoberta através de várias propostas criativas a decorrer de 4 a 8 e de 11 a 15 de julho na Loja Oficina (LO), no Centro Internacional das Artes José de Guimarães (CIAJG), Casa da Memória (CDMG), Centro Cultural Vila Flor (CCVF) e Espaço Oficina (EO).
Na semana de 4 (segunda) a 8 (sexta) de julho, sempre das 14h30 às 16h30, a oficina ”Loja Oficina de Vender Poetas” será realizada em processo contínuo de criação ao longo de toda a semana na Loja Oficina.
Em jeito de anúncio, aqui convida-se um grupo crianças a descobrir para que serve um poeta e como se poderá adquirir um, numa loja concebida propositadamente para o efeito, tendo em conta que cada vez mais estudos defendem que ter um poeta ajuda a combater o stress, a baixar o colesterol mau, o que nos torna cidadãos e profissionais mais produtivos, concentrados e eficazes.
Uma semana de preparação e abertura desta Loja Oficina de Vender de Poetas, a criação de um espaço físico para a loja mencionada na obra premiada de Afonso Cruz, “Vamos comprar um poeta”. Esta oficina dirigida a 15 participantes maiores de 6 anos – com o custo de 10 euros por pessoa (semana completa) mediante inscrição prévia, individual ou em grupo, através do e-mail mediacaocultural@aoficina.pt ou do tel. 253424716 – propõe a exploração da palavra, do corpo e do próprio espaço para que no fim se possa convidar o público em geral a desfrutar de um encontro único.
A semana que se segue, atravessa vários outros espaços culturais de Guimarães de 11 a 15 de julho, às 10h00 e às 15h00, com novas oficinas criativas a cada dia que passa. Neste caso, a participação é igualmente reservada a 15 pessoas maiores de 6 anos de idade e tem o preço de 2 euros por participante (por sessão, com cerca de 120 minutos de duração), mediante inscrição prévia nas mesmas condições acima referidas.
Na segunda-feira, o CIAJG é palco para novos criadores com novos saberes e muita criatividade à mistura na oficina de criação de figuras articuladas. “Meio Isto Meio Aquilo” é o nome da pele que reveste todos os seres e peças que daqui irão nascer às mãos dos exploradores mais novos na companhia da orientadora Teresa Arêde.
Um braço em forma de espinha de peixe e um lagarto no lugar da mão. Bigodes no joelho e um grande coração do pescoço até ao umbigo. E cada participante será desafiado a questionar-se que seres-novos quer criar e a dar-lhes vida. Nesta oficina tudo é possível e há que soltar a imaginação e dar vida a criaturas estranhas.
A terça-feira convida a percorrer uma tradição feita de barro e de histórias, a olaria vimaranense. Orientados por Maria Fernanda Braga e inspirados pela Cantarinha dos Namorados, os mais novos têm a oportunidade de fazer parte das “Histórias de Cântaros e Cantarinhas”, a oficina em que em que se molda o barro vermelho na roda de oleiro, enquanto as mãos na água e a água no barro e o barro na mão fazem nascer pequenas peças que podem ser ornamentadas com mica branca polvilhada. Depois, é só aguardar algumas horas pela cozedura.
Chegados a quarta-feira, dá-se a entrada d’ “O elefante na sala”, oficina de artes performativas orientada por Luísa Abreu na Sala de ensaios do CCVF. Aqui é tempo para nos interrogarmos e acerca de questões como “Qual é a perceção que temos do nosso corpo? Parecemo-nos muito altos ou muito baixos, quanto pesa uma só perna ou uma mão? Quanto medimos? Esta é uma atividade para pensar em novas formas de compreensão do nosso corpo através de diferentes jogos que o fazem mexer, sozinho ou em conjunto, e que exploram o movimento nas artes performativas.
O dia 14 de julho, quinta-feira, acontece “Entre o palco e os bastidores”, com Matilde Magalhães a orientar uma oficina de teatro a ter lugar no Espaço Oficina. A partir de jogos teatrais, com um pouco de movimento à mistura, parte-se em conjunto à descoberta para entender o que é ser um ator ou uma atriz, e para descobrir ainda os bastidores do Espaço Oficina, desde os camarins aos figurinos. As chaves estarão todas à disposição para embarcar esta viagem.
O último dia destas oficinas de férias de verão realiza-se a 15 de julho na Casa da Memória, com Teresa Arêde ao leme para dirigir os jovens participantes até “Sonhos de Bolso”, oficina de técnicas de impressão e estamparia em tecido a desenharem sonhos, aqueles que sonhámos ontem e os que sonhamos para o futuro.
Há desenhos se podem transformar em lenços de tecido, que se podem dobrar e guardar para sempre perto de nós. Viajando por entre a tradição têxtil e os bordados de Guimarães, vão estampar-se tecidos numa mistura de cores e outros efeitos inesperados, para que, no final, mesmo quem não tenha um bolso onde guardar esta experiência, tenha sempre um sonho consigo.
